Como extrair o arquivo PDF original de arquivos .pdb gerados para o Palm

Uma das coisas chatas do computador de mão da Palm (o famoso Palm Pilots ou handheld) era que pra poder ler arquivos PDF nele era necessário rodar uma versão especial do Adobe Acrobat para que o arquivo original fosse convertido para um formato reconhecido pelo dispositivo. Esse arquivo ganhava a extensão genérica de documentos do Palm (.pdb) e, aparentemente, não poderia ser "revertida" para o arquivo PDF original. Eu nunca consegui entender muito bem a necessidade dessa conversão, especialmente porque existe uma versão do Xpdf feita exatamente para abrir esse formato de arquivo no Palm (chamada de PDFmob), sem a necessidade de nenhuma conversão. Coisas da Palm e da Adobe...

Pois eu me deparei justamente com o problema de ter que recuperar um arquivo PDF que estava encapsulado em um .pdb. Depois de alguma pesquisa, descobri que alguns programas poderiam fazer isso, mas nenhum deles era para GNU/Linux. Então eu encontrei, nesta publicação de fórum, uma forma simples e fácil de fazer o trabalho. Uma vez que o arquivo .pdb é o PDF encapsulado com algumas informações extras, basta abrir o arquivo em um editor hexadecimal e extrair somente a "parte PDF" dele, ignorando todo o resto.

Para fazer isso, você vai precisar de um editor hexadecimal (eu usei, no KDE, o Okteta). Abra o arquivo .pdb nesse editor e procure pela seguinte sequência (em hexadecimal): 25 50 44 46 2D. Essa é a sinalização de início do arquivo, que, traduzida para caracteres, significa "%PDF-" (no Okteta é possível procurar tanto pela sequência hexadecimal quanto pelo seu correspondente em caracteres). Feito isso, localize a sequência de finalização do arquivo: 25 25 45 4F 46 (que, traduzido, é "%%EOF"). Agora marque todo o conteúdo da sequência inicial à final (incluindo ambas), copie-o e cole-o em um novo documento. E, pra fechar, salve-o com a extensão .pdf. Pronto! O seu PDF acaba de ser recuperado.  Smile

Só tem um porém (claro, sempre tem um). Isso só funciona 100% com documentos que sejam somente texto ou tenham imagens pequenas. Isso porque, quando se tem documentos com formatação mais complexa ou imagens grandes, o conversor para Palm diminui a resolução das imagens para caber na tela do aparelho e pode, também, mudar alguns detalhes na diagramação do documento. Mas sempre vale a pena testar e ver se não atende ao que desejamos recuperar, ok?

E se a mancha de petróleo estivesse na minha casa?

Um dos maiores problemas que temos para avaliar o impacto de catástrofes ambientais é a noção da sua abrangência. Por exemplo, quando ouvimos que "quatro estádios de futebol são cortados por dia na Amazônia", até temos uma noção geral do que é isso, mas, ainda assim, a ideia acaba ficando meio vaga. Se considerarmos eventos de proporções maiores, como o grande vazamento de petróleo da British Petroleum no Golfo do México, isso fica ainda mais complicado.

Foi pensando especificamente nesse caso que o sítio If it was my home (algo como "E se fosse a minha casa") foi criado. Ele utiliza a tecnologia do Google Maps para colocar a mancha de petróleo sobreposta a um mapa da sua cidade (que o sítio descobre baseado no endereço IP da sua conexão). Um recurso interessante é que você pode deslocar a mancha para outros locais, o que ajuda ainda mais na comparação. Só agora, depois de ver no mapa, eu tive real dimensão da tragédia. E fiquei mais horrorizado do que já estava.  Sad

O If it was my home é uma ideia simples, mas bastante eficiente no que se propõe. Algo a ser considerado em outras campanhas e divulgações de notícias que envolvam eventos de dimensões maiores.

Mais um bug no Twitter

E acharam mais um bug no Twitter. Ontem (10 de maio de 2010) vários usuários começaram a reclamar que suas listas de seguidores e seguidos estavam zeradas. Detalhe, esse não era o bug, mas a correção dele. Smile

Twitter mortoO que aconteceu é que foi divulgada uma falha no Twitter que permitia que você acrescentasse qualquer pessoa à sua lista de seguidores. Bastava digitar accept nome_do_usuário e esse usuário automaticamente se tornava seu seguidor, sem nenhuma necessidade de confirmação por parte dele.

Agora o mais divertido foi a forma como o erro foi descoberto: por puro acidente. Isso mesmo. Segundo o sítio Mashable, um usuário turco, fã da banda de heavy metal Accept, publicou em seu Twitter a mensagem "Accept pwnz", como uma homenagem à banda (pwnz é uma expressão de exaltação, maiores detalhes no Urban Dictionary). Então ele percebeu que o usuário @pwnz passou a fazer parte da sua lista de seguidores. O descobridor do problema publicou em seu blog (em turco) o feito e aí um monte de gente passou a colecionar seguidores. Foi aí que a equipe do Twitter interviu, corrigiu o erro e zerou todas as contas, para poder restaurar ao estado anterior. Nesse momento começou caos entre as pessoas, que achavam que tinham perdido seus contatos. Mas tudo está bem agora (até o próximo problema, claro).  Wink

Quando uma rede social do porte do Twitter deixa passar um bug, no mínimo primário, como esse, é sinal que alguma coisa não está muito certa. Pelo jeito o pessoal anda bem relaxado lá no viveiro do passarinho azul...

Ah, nem preciso comentar que o identi.ca, não possui esse problema, além de ter mais recursos que o Twitter e estar traduzido pro nosso (e vários outros) idioma, né? Então, o que você está esperando pra experimentar um microblog que funciona de verdade? E que tal me acompanhar lá?  Wink

Chamada de trabalhos para o FLISoL-BH 2010

Quer apresentar um estudo de caso de migração para software livre? Ou contar a sua experiência de como o utiliza na sua escola? Que tal um mini-curso ensinando a editar imagens usando aplicações livres? Está aberta a chamada de trabalhos para o FLISoL-2010 e esses e outros temas podem fazer parte da grade do evento. Depende somente de vocês.

Se você tem alguma proposta de palestra ou minicurso sobre softwares livres está convidado a enviá-la para nós. As melhores propostas serão selecionadas para serem apresentadas ao longo do dia 24 de abril, data em que acontecerá o FLISoL em BH (e várias outras cidades da América Latina).

Vale a pena destacar que software livre não está presente somente no sistema operacional GNU/Linux. Também é possível falar sobre o uso e o desenvolvimento dessas aplicações nos sistemas operacionais proprietários. O que importa é falar sobre o software livre, independente de onde ele está sendo utilizado. O único ponto importante é planejar palestras para um público leigo ou iniciante, que é o foco principal do evento. Além de palestras, podem também ser propostos minicursos e oficinas, já que teremos laboratórios com computadores à nossa disposição. Os minicursos podem ter um caráter mais técnico e ter como público-alvo usuários avançados.

Para enviar a sua proposta, por favor utilize o formulário de contato e informe os seguintes dados:

  • Nome completo
  • Endereço de e-mail
  • Escreva no assunto “Proposta de palestra” ou “Proposta de mini-curso”, de acordo com o tipo de proposta
  • No campo “Sua mensagem”, escreva o nome da palestra ou mini-curso/oficina com um resumo detalhando a atividade. No caso de mini-cursos/oficinas, especifique também a quantidade máxima de participantes. Por fim, escreva sua disponibilidade de horário.

Dúvidas também podem ser enviadas pelo formulário de contato. Contamos com a participação de todos os interessados em divulgar o software livre ou aprender mais sobre o assunto.

Como o contágio pode salvar vidas

Sempre que a palavra "contágio" é mencionada, imediatamente a associamos a coisas ruins: doenças, morte, invalidez.... Mas e se o sentido dessa palavra fosse subvertido para passar uma mensagem positiva? E se fosse possível contaminar pessoas com um "vírus" capaz de melhorar suas vidas? Essa é a mensagem que a indiana Kiran Bir Sethi nos transmite em sua fala no TED.

É uma apresentação valiosa pois nos mostra como iniciativas simples podem fazer uma grande diferença. E o detalhe mais importante dessa história é que não estamos falando de países como a França, Alemanha, Reino Unido ou Estados Unidos, mas sim da Índia, um país cheio de contrastes (e bem mais próximo da nossa realidade). Com a segunda maior população do planeta, eles são, segundo dados da Wikipédia, o 134º país do mundo na classificação do IDH, 139º em esperança de vida, 143º em mortalidade infantil e 147º em alfabetização. A título de comparação, para o Brasil, esses números são: 75º no IDH, 92º em esperança de vida, 106º em mortalidade infantil e 95º em alfabetização. Além disso, existem 23 idiomas nacionais (os mais importantes são o hindu e o inglês) e mais de 1600 (!!!) dialetos locais. E mesmo com todos essa diversidade e dificuldades, a Kiran conseguiu realizar um trabalho maravilhoso de valorização das crianças em um país reconhecido mundialmente pelos seus problemas com trabalho infantil.

Mas aí vem as perguntas fatais. E no Brasil? Por que não fazemos algo desse tipo? Por que ao invés de esperar um novo projeto do governo não fazemos, nós mesmo esse trabalho de valorização das crianças? Por que ao invés de campanhas anuais de mega-arrecadação de dinheiro não trabalhos propostas simples, mas que durarão para sempre? Como diz a palestrante, foi preciso somente um homem (o Gandhi) para mudar toda uma nação. Será que não podemos mudar nem ao menos a realidade que nos cerca? Ficam os questionamentos (e o incômodo)...

(a dica do vídeo veio dessa publicação, do blog do Fábio Prudente)

E lá se vai 2009, ao som da Sinfonia da Ciência...

Uma ideia aparentemente sem sentido. Pegar trechos de falas de grandes cientistas e tranformar em música. Mas o resultado obtido pelo projeto The Symphony of Science ficou tão bonito que resolvi utilizar um de seus vídeos como minha mensagem de fim de ano aqui da teia. O projeto é uma ótima iniciativa pra mostrar como a ciência pode ser bela, poética e emocionante.

O vídeo escolhido foi "We are all connected", que apresenta falas do Carl Sagan, Richard Feynman, Neil deGrasse Tyson e Bill Nye. Vamos ao vídeo.

Escolhi esse vídeo porque tem muito a ver com o que eu desejo para o ano de 2010. Acredito que quando nos dermos conta de que estamos todos conectados, independente de raça, credo ou reino biológico, aprenderemos a respeitar todas as formas de vida. Se almejamos algum futuro nessa esfera azul, essa é a nossa única saída.

Como disse o Carl Sagan no vídeo, o cosmos também está em nós, pois somos todos feitos da mesma matéria das estrelas. Saibamos usar bem essa nossa herança...

Um feliz 2010 a todos, com muita luz, harmonia, paz, solidariedade, amor e liberdade. Smile

Você não controla mais a informação. E isso é bom!

O título desse artigo é a tradução de um slide que aparece na apresentação abaixo, originalmente obtida sítio do TED. Ativem a legenda em inglês para entender melhor, pois ele fala muito rápido.

Em resumo, o Greenpeace queria um nome que representasse as baleias para uma campanha e, dentre os diversos nomes eruditos que apareceram, surgiu um, em tom de brincadeira: "Mister Splashy Pants". É algo intraduzível para o português, mas basicamente brinca com a onomatopeia "splash" e o sentido de respingo, gerando algo similar a "Senhor Calças Respingadas".

O interessante é que o nome pegou e começaram a surgir diversas campanhas em prol dessa escolhas. O Greenpeace chegou a estender a votação por mais uma semana, pois achou que aquilo era só uma brincadeira. Mas a situação não mudou e o resultado final foi a vitória de "Mister Splashy Pants", com 78% dos votos (o segundo lugar ficou com somente 3%).

Voltando ao título do artigo, a lição principal que fica dessa história é justamente que você não controla aquilo que coloca na Internet. Se você abrir uma enquete, permitir que os usuários façam comentários em suas publicações, pedir por colaborações online, ou abrir espaço para qualquer outro tipo de interação, esteja preparado para qualquer coisa. E saiba que qualquer pessoa tem tanto poder quanto você na Internet. E isso não é ruim! Mesmo que existam os vandalismos, mesmo que possam surgir bobagens, o verdadeiro sentido da informação online é justamente esse: todos estão no mesmo nível e todos podem participar. É isso que apavora a grande mídia e é por isso que eles tentam, a todo custo, deter essa produção de informações.

Sei que vivemos momentos de medo, com blogueiros sendo processados em um ritmo cada vez mais intenso. Mas isso não deve ser utilizado como justificativa para impedirmos a participação das pessoas em nossas publicações. Quando fazemos isso, a Internet fica mais pobre, pois perde um importante componente que é a interação. Tentemos ser maiores que o nosso medo. Os resultados positivos podem não ser imediatos, mas com certeza estaremos contribuindo para a construção de uma Internet mais bacana.

Quando estava fechando esse artigo, recebi a indicação do Sérgio Lima sobre um artigo do blog do Glaydson Lima bem interessante que explica, de maneira bem clara, a questão legal dos comentários em blogs. Vale a leitura.

Nova legislação genérica do Senado, dessa vez contra jogos eletrônicos

Diga não ao seu videogame - imagem extraída de: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:P_videogame_controller.svgCom tanta coisa acontecendo na casa, a Comissão de Educação do Senado teve tempo de aprovar um projeto de lei (170/06), de autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que criminaliza a fabricação, importação e distribuição (ou seja, tudo) de jogos que sejam considerados ofensivos "aos costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos". Ou seja, (mais) uma decisão absolutamente inócua de um Senado que insiste em legislar sobre itens que não conhece muito bem.

Inócua porque, primeiro, já tentaram fazer isso antes: Doom, BloodMortal Kombat, Duke Nuken, Requiem, Postal, Counter Strike e Everquest (entre outros) já foram proibidos. Aí as lojas esperam um pouquinho e relançam os mesmos produtos (ou uma versão atualizada deles) sem problema nenhum. Citando dois exemplos, com o lançamento do Doom 3 eles relançaram o Doom original (e suas continuações) e o Counter Strike pode ser encontrado em qualquer prateleira de jogos.

Em segundo lugar, já existe uma classificação da faixa etária indicada para cada jogo, feita pela Secretaria Nacional de Justiça desde 2001. Assim, se o jogo for inadequado ou ferir algum "costume, credo, religião, símbolo" ou sei lá mais o que, é muito simples: não compre o jogo. Além de simples, é muito mais econômico. Smile

E na rede, não vai nada? (imagem extraída de: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:P2P-network.svg)Terceiro, mais uma vez o Senado demonstra desconhecer algumas coisas bem simples como mídias de armazenamento (pendrive, DVD, etc.) e uma tal de Internet. Proibiu a venda? No dia seguinte alguém disponibiliza o jogo em uma (ou várias) das fontes citadas acima. Aliás, já se conseguem jogos dessa forma sem nem mesmo proibir. Smile Ou seja, quem vai realmente se lascar com essa decisão são os revendedores.

Por fim (e esse talvez seja o entrave mais sério), quais serão os critérios para considerar o jogo "ofensivo" e quais culturas serão consideradas em "povos"? Será que eles vão considerar todos os povos (todos mesmo)? Ou estão achando que "povo" é somente o famoso padrão: homem, cristão, branco e ocidental? Porque se forem considerar todo mundo (conforme está escrito na lei), vai sobrar muito pouco jogo nas prateleiras.Estará a pobre patinadora infringindo a nova lei, caso seja aprovada? Pra citar somente um exemplo, o inocente Deca Sports, um jogo de atividades esportivas para o Wii, apresenta mulheres em roupas incondizentes com os preceitos de vestuário do Islã. Isso porque elas usam maiôs e colantes ou seja, roupas que "delineiam as partes do corpo". Dessa forma, esse jogo teria que ser proibido, pois "agride a tradição islâmica". E islamitas são povo como qualquer outro (apesar de algumas outras religiões discordarem disso). Tá vendo o problema de se fazer leis genéricas, senhores senadores? Não aprenderam com o projeto do Azeredo?

Agora, o meu maior incômodo nesse projeto é o fato dele me cheirar a motivação religiosa. Isso porque ele usa quatro termos relacionados ao tema: "cultos, credos, religiões e símbolos". Pra que toda essa ênfase? Isso me preocupa porque vivemos, em teoria, em um estado laico. Com isso, decisões públicas não deveriam ser baseadas em crenças religiosas de qualquer tipo, justamente para evitar discriminações e injustiças contra qualquer credo. Ou seja, por mais contraditório que possa parecer, um estado realmente laico garante maior liberdade religiosa do que um não laico. Um bom (na verdade, mau) exemplo de interferência religiosa em decisões políticas foi visto recentemente com a discussão em torno o projeto de lei de criminalização do preconceito contra homossexuais. Curiosamente, o argumento, em ambos os casos (dos homossexuais e dos jogos), são as "agressões ao credo" das pessoas. Estamos diante de um padrão emergente? Facções religiosas começararão a direcionar nossas leis? Sempre fiquei muito incomodado com o aumento exponencial de deputados e senadores ligados diretamente a cultos religiosos. Infelizmente meu medo parece está se justificando.  Sad