GNU/Linux em série de televisão

Depois de muita insistência de um amigo meu (e muita curiosidade da minha parte também), resolvi assistir ao episódio 1 da série de televisão Heroes. Pra quem ainda não ouviu falar (e explicando de maneira absurdamente reduzida), ela trata de pessoas comuns que começam a desenvolver poderes. Como só assisti ao primeiro episódio (e faço questão de não saber nada do que vai acontecer pra frente, antes de assistir os outros) não consigo dar mais detalhes sobre ela.

Mas uma coisa já me chamou a atenção logo de cara. Bem no início do episódio, tem uma cena em que uma das protagonistas (chamada Niki Sanders) está fazendo um show de strip-tease para um cliente na Internet. Pois bem, em uma das tomadas, é focalizada tela do computador. Quando eu bati o olho, deu a impressão de ser o GNU/Linux, mas a tela estava meio borrada e não deu pra ter certeza. Mas eis que ela se levanta e vai conversar com o cliente e – surpresa! – ela está usando o Kopete como mensageiro instantâneo!!! Para quem não conhece, Kopete é o comunicador instantâneo padrão do KDE, um dos gerenciadores de desktop do GNU/Linux. Achei o máximo!

Pelo jeito a dominação mundial está mais avançada do que se pensava… 😉

Desktop 3D

Maravilhado!

Essa foi o estado em que eu fiquei logo após instalar na minha máquina (um Debian GNU/Linux Etch) o gerenciador/compositor de janelas Beryl.

Esse programa simplesmente transforma a sua área de trabalho em um ambiente 3D, com direito a vários adornos, entre eles:

  • múltiplos efeitos nas interações com janelas (maximização, minimização, abertura, fechamento, etc.);
  • aumento em tempo real (e renderizado) de um pedaço da tela;
  • transparência real e interativa, você controla, dinamicamente, o grau de transparência da janela;
  • alternância de aplicações (Alt+Tab) usando miniaturas;
  • seleção de aplicações usando miniaturas escaláveis;
  • e o mais legal de todos, 4 áreas de trabalho virtuais em um cubo. Isso mesmo, um cubo, que você pode rotacionar à vontade… 🙂

Além dessas existem outras características, mas não tive tempo de testar ainda… 😉

Pra quem quiser brincar um pouco, o ideal é começar pelo site do projeto. Lá tem algumas capturas de tela e explicação detalhada dos recursos do gerenciador. Além disso, explica com detalhes como instalá-lo em diversas distribuições GNU/Linux. Pra quem já quer ver "a coisa funcionando", experimentem dar uma batida no YouTube e buscar por "beryl".

Eu mesmo fiz um videozinho bem simples do meu KDE funcionando sob o Beryl. Mas aparentemente o YouTube não gosta de vídeos no formato livre Ogg. Por isso, assim que eu arrumar uma forma de divulgá-lo eu aviso aqui. Minha máquina é um Pentium 4 3GHz, com 512Mb de memória e uma placa nVidia GeForce 5200 de 128Mb. Interessante destacar que a placa considerada ideal seria de 256Mb, mas ele funcionou sem problemas no meu computador.

E depois ainda falam que o Windows é o sistema operacional mais bonito que existe… 😉

Sylpheed-Claws passa a se chamar Claws Mail

Agora é oficial. A mudança de nome já havia sido anunciado antes no blog do Sylpheed Claws. A próxima versão do Sylpheed Claws, um dos mais antigos projetos de tradução em que estou envolvido e meu cliente de e-mail predileto, passa a se chamar Claws Mail.

O motivo da mudança, segundo explicado no site oficial (que, por sinal, já mudou o domínio), é que o Sylpheed Claws, que começou como uma versão "avançada" do Sylpheed, evoluiu a tal ponto que se distanciou do projeto original e agora é um novo programa. Merecia, portanto, um novo nome.

Então, adeus, Sylpheed Claws, e seja bem-vindo, Claws Mail. Que tenha vida longa e próspera!

Pesquisa da ABES: Verdades incovenientes nascem de perguntas inconvenientes

Por Sérgio Amadeu

A ABES, Associação Brasileria de Empresas de Software, divulgou recentemente uma pesquisa que está sendo utilizada pelos seus membros e pela Microsoft para atacar o software livre no programa PC para Todos. O programa PC Conectado, hoje, PC para Todos, foi um sucesso e ampliou a base instalada de software livre no Brasil. Isto fez com que a microsoft começasse a baixar os preços de suas licenças e tentar de todas as formas impedir que as máquinas saissem de fábrica com 26 softwares livres instalados. A concorrência promovida pelo software livre teve como efeito imediato a redução do preço das licenças de software proprietário, para o desgosto do monopólio. Para tentar conter o avanço do software livre, uma das estratégias do monopólio é pagar todos os anúncios publicitários das empresas de hardware. Por isso, lemos propaganda de computadores nas páginas de jornal com o seguinte texto: empresa tal recomenda M$. Obviamente se fizermos o balanço contábil do que a empresa de hardware paga para a microsoft e retirarmos o que a microsoft paga em anúncios e promoções podemos perceber que ela está quase dando suas licenças gratuitamente. Mas isto não é uma prática anti-concorrencial? Sim. O CADE irá agir?

Agora, a microsoft coloca uma propaganda na TV que dá a impressão que o software livre é um software pirata ou ruim, sendo que o software instável e repleto de vírus é o deles. Isto não seria uma propaganda enganosa? E o CONAR ( Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária ) fará algo?

Por fim, algumas perguntas sobre a pesquisa da ABES precisam ser feitas:

1) Por que uma pesquisa feita em junho foi divulgada somente agora? Será que é para impedir as vendas de computadores com software livre na véspera do Natal? Será que é para influenciar na montagem do novo governo Lula?

2) Por que a pesquisa não peguntou quantas máquinas com start edition, da microsoft, foram trocados por windows pirata?

3) Por que a pesquisa da ABES não quis saber quantos computadores vendidos somente com windows serve para a instalação de todos os demais softwares piratas? Ou será que a ABES não sabe que soemnte a licença para o Office (pacote de escritório da m$) custa R$ 1200,00 (mais que o computador)?

4) Por que a pesquisa foi feita somente em dois estados ou segundo está escrito "nas Unidades Federais de São Paulo e Paraná?

5) Por que a ABES não faz uma pesquisa para saber qual o grau da pirataria geral no país? Será que é porque ela descobrirá uma verdade inconveniente: a pirataria é que mantém o monopólio da microsoft.

Quantas pessoas que compram computadores que custam R$ 1800,00 gastariam mais R$ 1400,00 somente nos demais aplicativos da m$, sem falar no Corel, no Photoshop, entre outras licenças.

Acho que a tentativa de manter o monopólio tem limites. A concorrência é melhor, reduz custos, melhora a qualidade e, por isso, devemos defendê-la. Não seria o caso, do CADE, do Ministério Púbico Federal e outros órgãos de defesa da concorrência entrarem em ação?

Fonte: PSL-Brasil: http://www.softwarelivre.org/news/8022

Segundo Ballmer, “Linux infringe propriedade intelectual da Microsoft”

Recentemente recebi a notícia abaixo:

Linux infringe propriedade intelectual da Microsoft, diz Ballmer
Framingham – Acordo firmado neste mês com a Novell tem o objetivo de "dar aos acionistas o retorno da inovação" proposta pela Microsoft, diz CEO.
(fonte: http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2006/11/17/idgnoticia.2006-11-17.8366434247)

Ela merece alguns comentários…

Primeiro a MS anuncia um acordo com a Novell , dizendo-se aberta ao desenvolvimento do software livre. Pra logo em seguida o buldogue da empresa, Steve Ballmer anunciar que o Linux infringe propriedade intelectual. E arremata: "Apenas aqueles que utilizam Suse pagaram apropriadamente pela propriedade intelectual da Microsoft. Estamos dispostos a firmar um acordo com a Red Hat e outros distribuidores Linux". Percebem a armadilha que a MS está criando para o software livre? O recado do Ballmer é claro: quem se vender pra MS estará segura contra investidas da empresa… E todo mundo sabe o que a MS faz com as empresas concorrentes que ela "compra" ou "investe": elas desintegram, seja por uma absorção completa, seja por irem parar no limbo (alguém se lembra do FoxBase?).

Além disso, Ballmer demonstra que não sabe nada do GNU/Linux. Em primeiro lugar, como o Mayer bem ressaltou, qual é a propriedade intelectual que foi infringida? Em segundo lugar, o que é o "Linux", que ele fala? Afinal de contas, se ele afirma que o "Linux" infringiu tal propriedade, então ele está falando do kernel, que é a parte Linux do sistema. O resto são contribuições de diversos desenvolvedores. Ele trata o GNU/Linux como trata o Windows, onde o kernel e as aplicações são desenvolvidas todas pela mesma empresa. E uma pessoa que ocupa um cargo como o Ballmer dentro de uma empresa, deveria saber, minimamente como funciona o desenvolvimento do sistema no qual a sua empresa acabou de investir 440 milhões de dólares. E aí vem o questionamento: se o CEO da MS não sabe como funciona o desenvolvimento do software livre, como essa empresa pode ser dizer interessada nesse desenvolvimento?

O que o Ballmer fez foi antecipar aquilo que os tão criticados "radicais" do software livre já estavam anunciando e, por isso, sendo acusados de pessimismo: todo esse espetáculo de "apoio" ao software livre é parte da tão conhecida estratégia da MS de gerar incerteza e medo para destruir seus competidores. Essa é uma estratégia baixa e que sempre funcionou com essa empresa em situações anteriores. O problema é que agora ela se vê diante de um modelo tecnicamente mais competente que o dela e não consegue responder à altura. E ainda tem gente que defende essa empresa e suas práticas de mercado…

Por fim, que inovações tecnológicas a MS apresentou ao longo do tempo e que ela quer tanto defender? O uso do mouse foi copiado da Apple, assim como a idéia e funcionamento dos primeiros Windows; a pilha TCP/IP foi adaptada do BSD; o "jeitão" do Windows 95 foi uma mistura do OS/2 com (de novo) o Macintosh; todas as "inovações" do IE7 foram copiados do Firefox e do Opera; e, por fim, várias "inovações visuais" do Windows Vista são "inspiradas" (pra não dizer descaradamente copiadas) de recursos e aplicações existentes no GNU/Linux. Por exemplo, a tal da "Windows Side Bar", que já existe como software livre há muito tempo, inclusive em duas versões diferentes: gkrelm e karamba… Portanto, antes de acusar os outros de roubar suas inovações, o Ballmer deveria instruir seus funcionários a aprender a inovar, ao invés de copiar as inovações dos outros… 🙂

Ah, e um detalhe que ninguém está comentando. O novo Vista já vem com vários recursos do chamado "trusting computer", que é, resumidadmente, uma forma das grandes empresas controlarem o que você faz com o seu computador. Maiores detalhes nesse vídeo, bastante didático e em inglês, mas com a opção de legendas em português.

Para complementar, o site Dicas-L publicou recentemente um artigo curto, mas bem explicativo sobre a tal "aproximação". E no BR-Linux existe um excelente editorial, com links explicando a história toda.

P.S.: Pra quem quiser se divertir um pouco com o "jeito Ballmer de ser", duas pérolas do YouTube. Primeiro ele fazendo propaganda do primeiro Windows e segundo ele em uma palestra para desenvolvedores da MS . O sujeito é assustador… 🙂