Dia da Cultura Livre em Belo Horizonte

Anotem na agenda: o dia 17 de agosto de 2009 será dedicado à divulgação de iniciativas e movimentos que buscam a socialização do conhecimento de forma ampla. É o Dia da Cultura Livre, que vai acontecer na Faculdade de Letras da UFMG.

Este evento pretende ser um momento de interação entre projetos sociais, comunidades de software livre e pessoas interessadas em entender temas atuais como: o copyright e os direitos autorais, a licença creative commons, software livre e questões relacionadas.

Para fazer esse debate foram convidados grupos inseridos no conceito de Cultura Livre, tais como Texto Livre, Software Livre Educacional, A Tela e o Texto, A Taba Eletrônica, Português Livre, Italiano Libero, Español Libre e representantes das comunidades do Ubuntu e BrOffice.org entre outros que desejarem aproveitar o espaço para divulgar suas propostas.

Os representantes desses projetos ficarão disponíveis durante todo o evento, de 9h às 21h no espaço da Faculdade de Letras da UFMG. Além disso, ao longo do dia contaremos com a seguinte programação:

9:00h-10:50h – Projeção do filme "Ameaça Virtual"

12:10h – Apresentação de dança livre

11:20h-12:50h – workshop sobre o Moodle

14:20h-15:10h – Videoconferência sobre o Project Wonder Land (com membros da Sun)

17:20h – Apresentação de dança livre

18:00h-19:50h – Projeção do filme "Ameaça Virtual"

20:20h-21:50h – workshop sobre o Moodle

Softwares livres poderão ser instalados durante todo o evento; por isso, você pode trazer seu notebook. Não tenha vergonha se ele tiver Windows. Os instaladores têm estômago forte e conseguirão lidar com eles. 

Haverá também projeção de diversos vídeos diversos sobre Cultura Livre nos intervalos entre as atividades.

Ah, e vai ter café e pipoca nos intervalos do evento! 

Como atualizar o KDE para a versão 4.3 no Debian Squeeze

DepoKonqui, o mascote do KDEis de me cansar de ver inúmeros comentários maravilhosos sobre o novo KDE no identi.ca, resolvi experimentá-lo em minha máquina. O problema é que uso a versão testing da Debian (atualmente chamada "Squeeze") e os pacotes da versão 4.3 do KDE só estão disponíveis no repositório do unstable. Assim, munido de muita coragem (e ansiedade por experimentar a nova versão) resolvi atualizar o KDE a partir desse repositório. Apresento abaixo uma descrição do que eu fiz para colocá-lo em minha máquina. Atenção!!! Esse processo é bem artesanal e irá acrescentar pacotes do repositório unstable na sua máquina. Isso significa que o seu ambiente gráfico pode se tornar instável após a instalação (tudo bem que isso pode ser revertido voltando à versão anterior do KDE). Funcionou bem comigo, mas isso não significa que irá funcionar bem com você, ok? Além disso, esse não é exatamente um "guia para iniciantes". Quem for executá-lo deve ter um conhecimento mínimo de edição de arquivos do sistema e de funcionamento do aptitude. Bom, feito o meu alerta terrorista, vamos ao que interessa. 

Todos os passos descritos de aqui em diante devem ser realizados como usuário root ou utilizando o comando "sudo" antes dos comandos descritos. Em primeiro lugar, se você instalou o KDE a partir do metapacote kde-full, a primeira coisa a fazer é desinstalá-lo, com o tradicional aptitude:

aptitude purge kde-full --purge-unused

(o parâmetro "–purge-unused" serve para excluir os arquivos de configuração de todas as dependências que serão desinstaladas)

Agora acrescente um repositório unstable ao seu arquivo  /etc/apt/sources.list. Eu gosto do repositório do Instituto de Física da USP, mas você pode usar o que lhe convir. Repare que você não vai substituir o seu repositório testing, mas sim acrescentar o unstable. Veja abaixo de como ficaria um sources.list simples, apenas com as referências aos dois repositórios padrão da Debian.

## Debian Testing
deb http://sft.if.usp.br/debian/ testing main

## Debian Unstable
deb http://sft.if.usp.br/debian/ unstable main

para instalar estritamente pacotes livres. Ou então:

## Debian Testing
deb http://sft.if.usp.br/debian/ testing main contrib non-free

## Debian Unstable
deb http://sft.if.usp.br/debian/ unstable main contrib non-free

caso você não se importe em usar pacotes não livres. Se você é como eu, deverá também ter vários outros repositórios além dos citados acima, mas é importante que pelo menos os citados acima estejam presentes na sua máquina.

Entretanto, se você fizer somente isso, o seu sistema inteiro será atualizado para unstable. E você não vai querer isso, não é? Para evitar esse problema, basta acrescentar algumas linhas no seu arquivo /etc/apt/preferences. É comum que esse arquivo não exista no seu computador. Nesse caso, basta criá-lo. O conteúdo a ser inserido no arquivo é o seguinte:

Package: *
Pin: release a=testing
Pin-Priority: 900

Package: *
Pin: release a=unstable
Pin-Priority: 800

Explicando grosseiramente, o que as linhas acima fazem é informar ao seu sistema que os pacotes do repositório testing tem prioridade sobre os do unstable. Isso garante que ele não irá substituir nenhum dos seus pacotes por um instável. Repare em um detalhe. Os parâmetros "a=testing" e "a=unstable" fazem referência direta ao nome dos repositórios. Assim, se ao invés desses nomes você usou "squeeze" e/ou "sid" no seu sources.list (ou seja, se o seu arquivo não está igual ao exemplo que dei lá no início do artigo), então deve substituir também o "a=" com o valor correspondente, ok?

Após o acréscimo, atualize a base de dados:

aptitude update

Agora vem a pegadinha. Pelo menos até a hora que eu instalei o KDE não existia nenhum metapacote do tipo kde ou kde-full no unstable. Por isso é necessário especificar os pacotes manualmente. A lista de pacotes que eu precisei de instalar/atualizar foi a seguinte:

kdeadmin kdebase kdebase-runtime kdebase-runtime-bin-kde4 kdebase-workspace-kgreet-plugins kdebase-workspace-libs4+5 kdeedu kdegames kdegraphics kdelibs5 kdelibs5-dev kdemultimedia kdenetwork kdenlive kdepim kdepimlibs5 kdetoys kdeutils kde-icons-oxygen kde-l10n-ptbr kde-window-manager kdm klipper kscreensaver ksysguard libkephal4 libkfontinst4 libkdecorations4 libkholidays4 libkscreensaver5 libksgrd4 libkworkspace4 libmaildir4 libnepomukquery4 libnepomukqueryclient4 libortp8 libplasma3 libplasmaclock4 libplasma-applet-system-monitor4 libplasma-geolocation-interface4 libprocesscore4 libprocessui4 libsolidcontrol4 libsolidcontrolifaces4 libsoprano4 libsoprano-dev libtaskmanager4 libweather-ion4 libzip1 plasma-widgets-addons plasma-widget-lancelot systemsettings

Pode ser que isso mude de acordo com a máquina do usuário, devido a forma como o seu Debian foi instalado. Eu também posso ter deixado passar algum pacote que ainda não dei falta. Eu gerei essa lista através de tentativa e erro, ou seja, fui tentando instalar os pacotes até não ter mais nenhum problema insolúvel de conflito. Portanto, mais uma vez, pode ser que funcione na sua máquina, pode ser que não. Comentários sobre isso são bem vindos, especialmente se você detectar algum pacote ausente. Dando continuidade, então, instale os pacotes com o comando:

sudo aptitude -t unstable install kdm kdeadmin kdebase kdebase-runtime kdebase-runtime-bin-kde4 kdebase-workspace-kgreet-plugins kdebase-workspace-libs4+5 kdeedu kdegames kdegraphics kdelibs5 kdelibs5-dev kdemultimedia kdenetwork kdenlive kdepim kdepimlibs5 kdetoys kdeutils kde-icons-oxygen kde-l10n-ptbr kde-window-manager klipper kscreensaver ksysguard libkephal4 libkfontinst4 libkdecorations4 libkholidays4 libkscreensaver5 libksgrd4 libkworkspace4 libmaildir4 libnepomukquery4 libnepomukqueryclient4 libortp8 libplasma3 libplasmaclock4 libplasma-applet-system-monitor4 libplasma-geolocation-interface4 libprocesscore4 libprocessui4 libsolidcontrol4 libsolidcontrolifaces4 libsoprano4 libsoprano-dev libtaskmanager4 libweather-ion4 libzip1 plasma-widgets-addons plasma-widget-lancelot systemsettings

Sim, tudo isso aí em cima é uma única linha de comando. Cuidado na hora de copiar e colar para que você não insira nenhum espaço extra ao final das linhas. E se você for observador(a), irá reparar que existe um parâmetro diferente no aptitude acima: "-t unstable". Lembram que acrescentamos umas linhas no arquivo preferences, pra impedir que o aptitude instale pacotes do unstable inadvertidamente? Pois bem, o parâmetro "-t" informa ao programa que ele tem que instalar os pacotes seguintes (e suas dependências) a partir do repositório especificado. Nesse caso, o unstable.

Ao executar o comando acima, o aptitude irá lhe informar que existem dependências a serem resolvidas. Não se assuste com isso. Aceite as sugestões propostas por ele. Serão exibidas então as informações de instalação. Mais uma vez autorize e o processo de download/instalação será iniciado. Ao final de tudo, seu novo KDE estará instalado e configurado e você poderá aproveitar todas as novas opções legais dele. Divirtam-se! Ah, e comentem se a explicação funcionou ou não pra vocês. 

Criada a comunidade mineira de usuários do KDE, a KDE-MG

No último dia 3 de julho foi criada a comunidade de usuários do KDE de Minas Gerais, também conhecida como KDE-MG. A ideia é congregar os usuários, desenvolvedores, tradutores e entusiastas do projeto KDE nesse estado em um ambiente onde eles possam discutir, colaborar e aprender.

Já temos uma lista de discussão ativa. Iremos agora decidir, na lista, qual a melhor tecnologia para construirmos o nosso sítio: blog, wiki, CMS ou outra coisa que não pensamos ainda. Caso você tenha interesse em participar de nossas discussões, a inscrição na lista é aberta a qualquer pessoa.

Espero ter, em breve, mais novidades sobre o grupo.

Como começar uma festa (e porque isso pode ajudar no desenvolvimento de softwares livres)

Antes de continuar lendo essa publicação, assista ao vídeo abaixo (descoberto graças a essa mensagem no Twitter do Karlisson):

Esse é um bom exemplo de como um único indivíduo consegue disparar um processo de movimentação popular. Repare que as primeiras pessoas que aparecem, estão lá só como zombaria. Mas o processo de agregação vai se acelerando. Até o momento em que se atinge um limiar onde o crescimento passa a ser exponencial. E o rapaz cria uma "festa dentro da festa"… e literalmente some no meio do movimento que ele mesmo iniciou.

Cabe destacar que o ponto chave da movimentação é justamente o limiar, citado acima. O momento em que as pessoas param de se comportar como indivíduos e começam a agir como grupo. Freud (citando Le Bon) trata muito bem dessa questão do grupo em seu texto "A descrição de Le Bon da mente grupal" (encontrado no volume XVIII da "Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud"). O Le Bon afirma que:

"o grupo psicológico é um ser provisório, formado por elementos heterogêneos que por um momento se combinam, exatamente como as células que constituem um corpo vivo formam, por sua reunião, um novo ser que apresenta características muito diferentes daquelas possuídas por cada uma das células isoladamente".

Essa característica "orgânica" do grupo é particularmente interessante, pois permite que a emersão, no grupo, de propriedades que não pertençam a nenhum dos indivíduos em particular. E isso tem muito a ver com a forma como o movimento de  software livre funciona. O seu desenvolvimento também só é possível graças à união de pessoas com características e habilidades diferentes, cuja sinergia produz resultados que talvez nenhum dos membros individualmente esperassem. Reparem também no vídeo, que quanto maior o grupo, mais pessoas são atraídas para ele. Projetos de softwares livres também são assim. Não é à toa que os "projetões" conseguem arregimentar mais colaboradores do que os projetos menores.

A grande questão é qual a quantidade de pessoas necessárias para disparar o processo exponencial de crescimento do grupo. Isso porque esse número varia e depende de vários fatores, entre eles, a distância entre essas pessoas e o grau de afinidade entre elas. Entender esse processo pode ajudar, entre outras coisas, a melhorar o envolvimento de pessoas em projetos de softwares livres. E é uma discussão interessante, onde cabem muitos "palpites"…

Pois é. Esse assunto começou a martelar (de novo) na minha cabeça. Acho que está na hora de eu voltar a ler meus livros de teoria de caos e sistemas dinâmicos que estão paradinhos na estante. 

Encontro sobre software livre educacional no FISL

Conforme vocês já devem ter visto na lateral da teia, do dia 24 a 27 de junho acontecerá na PUC, em Porto Alegre, a 10º Edição do Fórum Internacional do Software Livre (FISL),  um evento internacional que reúne entusiastas, hackers, empresas e governos, com objetivo de difundir e ampliar as iniciativas de Software Livre no país e no mundo. Além disso, é o responsável pela maior migração anual de nerds do Brasil…

Nesta edição, além do eixo tradicional de palestras, ocorrerão também mini-eventos temáticos em diversos auditórios da PUC. Estes mini-eventos terão como foco difundir o software livre em áreas específicas. Um desses mini-eventos será sobre educação e software livre e sua organização está a cargo do grupo Software Livre Educacional (SLEducacional), do qual eu sou um dos coordenadores. O nome desse encontro é: Software Livre e Educação – Usos, Desusos e Intrusos. Ele acontecerá sexta-feira, dia 26, das 13h as 17h no Instituto de Educação. Além de mim, a mesa do evento terá também a participação do Peterson Danda, da Marinez Siveris e da Carla Bertioli. Aliás, o termo "mesa" empregado aqui é puramente formal. A ideia é que o evento seja bem participativo, com a interação de todos os presentes e não somente uma exposição dos "membros da mesa".

O cronograma do mini-evento será o seguinte:

  • Apresentação geral sobre software livre na educação (30min): explanação geral sobre a relação entre software livre e educação, com uma explicação breve sobre os princípios do software livre.
  • Ferramentas livres para a educação (1h): demonstração de alguns softwares livres que podem ser utilizadas de maneira direta em ambientes educacionais.
  • Apresentação de casos de sucesso (30min): casos de uso de softwares livres em ambientes educacionais.
  • Apresentação do projeto SLEducacional e debate sobre o uso educacional de softwares livres (2h): apresentação do grupo, seus objetivos e formas de colaboração e debate aberto sobre a situação atual do uso educacional de softwares livres e o que pode ser feito para tornar esse trabalho mais consistente.

Além do mini-evento, o SLEducacional também estará presente no espaço destinado aos grupos de usuários, em uma das várias "ilhas" espalhadas pelo saguão do evento, juntamente com o Projeto Texto Livre e o Pandorga Linux.

Interessados em apresentar algum caso de sucesso sobre software livre na educação ou em obter maiores informações sobre o evento, podem entrar em contato comigo através do formulário de contato. Contamos com a participação de todos os interessados no tema!

Mais um feliz usuário do GNU/Linux

Sempre que posso, faço um trabalho de divulgação do software livre em geral e do GNU/Linux em particular, ressaltando suas qualidades e tentando desmistificar essa ideia de que é um sistema difícil. E de vez em quando consigo alguns resultados interessantes. O último deles foi com um antigo colega da lista de discussão Internews, o Mordred. Ele mandou uma mensagem tão animada para a lista, relatando sua migração para o pinguim, que eu pedi a ele para fazer um relato pra eu publicar aqui. Conforme prometido, aí está a mensagem dele. Fiz questão de deixá-la na íntegra, sem correções, para preservar o estilo e a emoção dele ao escrever o texto. Meus comentários ao final do texto.

Pois então chegou o dia em que me desfiz do preconceito e cansado de telas azuis da morte, inúmeras reinstalações, procura sem fim por drivers, incompatibilidade de dispositivos, chegou à minhas mãos e olhei com ar de ironia mais um artigo falando maravilhas da nova versão de um tal de Ubuntu e resolvi baixar. Afinal, pensei eu, essa coisa não pode ser tão complexa e por tudo que esta se falando, trabalhando desde 1987 com informática e oriundo de “find . –print |cpio –ovb >/dev/fita” eu não poderia me sair de forma tão vergonhosa.

Deixei o bicho baixando nem sei de onde e depois de alguns dias (já esquecido) encontrei perdido numa pasta um ISO de pouco mais de 700Mb do tal Ubuntu. Como mais uma vez a máquina de meu filho apresentava problemas, pensei…. Porque não? Sem nada de backup para fazer, nem outro aplicativos à instalar, pelo menos para ver a cara do dito cujo, eu precisava tentar.

Primeiro impacto negativo: logo após criar o cd no Nero na máquina Windows de minha esposa, ao executar o CD, um menu assustador em inglês sugeria que, como um outro SO estava instalado, eu poderia optar pela versão Live ( que para os leigos como eu, é um SO que funciona diretamente no CD, sem mexer em NADA de sua máquina!!!! – ainda não usei). Desapontado por estar com uma versão em inglês, e imaginando que as coisas seriam mais complexas do que eu gostaria com meu inglês de aeroporto de 3º mundo, mesmo assim parti para máquina de meu filho, alterei para boot pelo CD, cruzei os dedos e deixei correr… E aí….

Bom, logo de cara, me surpreendi com uma tela interativa que dava a opção de instalação em (sem exageros) pelo menos uns 20 idiomas. Surpresa mais uma vez, dado que a gente sabe como funciona no concorrente: Um CD para cada idioma e olhe lá! E aí…..eu sinceramente gostaria de falar mais da instalação, contudo…diferentemente do que ocorre com o “outro” você não faz NADA. Seleciona o horário de onde está, o idioma (como já mencionei) e define partição(ões) (se desejar e se quiser conservar o 2º SO) e um nome e senha de usuário. Depois de +/- 30 minutos ( aí vai de sua máquina e sua leitora de CD/DVD ) ponto final. Você está com sua máquina 100% configurada. E quando digo 100% é isso mesmo: internet ok (com o fantástico Firefox, que eu já vinha usando, depois de desistir dos travamentos e enorme peso do IE8), um editor de texto e uma planilha eletrônica (tão completos como os “do mercado”), alguns gráficos para começar, além de uma infinidade de joguinhos (para alegria de meu filho) e pode começar a usar.

Em resumo, perdi anos assustado com o Linux, talvez por minha origem Unix/Xênix, onde a tela preta reinava e comandos como que já citei, parecem uma verdade sopa de letras e fazem a maravilha dos empolados profissionais de TI, olhados pelos leigos como deuses (quando na verdade decoraram apena suma dúzia de comandos chave).

A interface deste que usei (Ubuntu 9.0.4) é amistosa, você tem alguma dificuldade no início, já que tudo mudou de lugar, mas.. com alguma boa vontade (e nem precisa ser muita) você reconfigura tudo, cria atalhos, reparticiona aos instalação, atualiza o SO de forma automática, customiza funcionalidades e se você, assim como eu, pretende, mais que pregar a honestidade com seu filho, mostrar que é possível sim, usar computador e internet sem precisar recorrer à pirataria, existe vida (boa e dentro da lei) além do Windows. E o melhor, de graça, com atualizações constantes e outros aplicativos tão bons quanto a “tendência de mercado”.

À você Fred, responsável por isso e me mostrando esse caminho à anos, obrigado e desculpe pela demora; à comunidade do pinguim, tô chegando com a faca nos dentes! E aqueles que ainda patinam no Windows, quem sabe até pelos mesmos motivos que eu, podem relaxar. Tudo que você precisa para passar do Windows é o que você obrigatoriamente precisa ter independentemente do SO que use: um backup!

Bom, não sobra muito o que dizer depois disso, né? Na verdade quem agradece sou eu, Mordred, pela sua iniciativa em tentar fazer diferente, em fugir da (como você mesmo diz) "tendência de mercado" e dar uma chance ao GNU/Linux. Com certeza você ainda tem muita diversão pela frente. Boa sorte em sua jornada!

São mensagens assim que reforçam a minha crença de que vale a pena lutar pela adoção do software livre. Pensem bem, quantas pessoas serão convencidas pelo Mordred a, pelo menos, tentar usar o GNU/Linux? E, dessas, quantas o adotarão definitivamente? A dominação mundial está apenas começando… 

Ambiente desktop livre ilustrando vídeo da Microsoft – ATUALIZADO

Entre rápido nessa página da Microsoft (você leu direito, é da Microsoft mesmo). Resista ao apelo no alto da tela para "Upgrade your Internet Experience" (com o ameaçador ícone do Internet Explorer ) e olhe bem para a imagem que se encontra no meio da tela à direita (agora é tarde, já mudaram a imagem, mas fica o registro e a "prova do crime"). Essa imagem é um link para um vídeo. A chamada é bem clara: virtualização de outros ambientes Windows no novo Windows 7 (e o vídeo trata justamente disso). Ou seja, uma imagem mostrando o Windows XP, que pode ser virtualizado dentro do Windows 7, certo? Errado! Olhe novamente a imagem.

Tela do XPDE
 

Essa tela, na verdade é do XPDE, um ambiente desktop para GNU/Linux que tenta imitar ao máximo a aparência do Windows XP. Detalhe, essa imagem que aparece no sítio da Microsoft é essa aqui, da galeria de imagens do XPDE (tem até o Gimp na barra de tarefas). Compare as duas e repare que a imagem que está no sítio da Microsoft foi cortada na sua parte superior.

Pois é, pelo jeito os desenvolvedores do XPDE conseguiram seu intento. O ambiente ficou tão parecido com o Windows XP que até a Microsoft se confundiu.    Ou será que esse é um reconhecimento de que o design do software livre é mais apresentável que o do Windows? Resta a dúvida… 

Ah, caso a Microsoft mude a tela, aqui tem uma captura da mesma, para fins históricos. E a dica da página veio do Djavan Fagundes, via identi.ca.

Atualização:

O Djavan fez a correção nos comentários: quem deu a indicação inicial não foi ele, mas o Lucas Mezencio, que tem um blog legal e acabou de escrever um artigo sobre um tema que eu já ia colocar aqui na teia: QRCodes. Ele é um sem-graça. 

Outra atualização (15/05/2009):

Eu falei pra vocês entrarem rápido na página, não falei? Pois não é que a Microsoft atualizou a imagem? Ainda bem que eu fiz uma captura da tela pra documentar a bobagem. Só falta agora falarem que foi montagem… 

Inscrições abertas para o FLISoL-BH 2009

Já está no ar a estrutura de inscrição para o Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre, que ocorrerá, entre outras cidades, em Belo Horizonte.

É um dia inteiro onde serão apresentadas uma série de palestras e minicursos, além de ter equipes preparadas para fazer a instalação de distribuições GNU/Linux e diversos outros softwares livres nas máquinas dos participantes. A participação é gratuita. Basta fazer a inscrição na página de cadastro. O evento ocorrerá no campus II do CEFET-MG, localizado à Av. Amazonas, 7675, bairro Nova Gameleira e conta com o apoio do Departamento de Computação do CEFET-MG, que providenciou a estrutura física para as palestras e minicursos. Maiores informações podem ser obtidas no blog do evento.

Uma boa oportunidade para conhecer mais sobre o software livre e trocar informações com pessoas da área e entusiastas. Quem sabe você não se anima a sair fora daquele (suposto) sistema operacional que vive dando pau e pegando vírus? 

Acompanhe suas contas no identi.ca e no Twitter com o choqoK

Há algum tempo eu procuro um aplicativo para publicar e acompanhar minhas contas no identi.ca e no Twitter. Na verdade meu problema maior era com o identi.ca, uma vez que eu uso a extensão do TwitterFox no meu Firefox para controlar a conta do Twitter e ela me atende bem.

Logo do choqoKDepois de muito bater cabeça (inclusive tentando, em vão, compilar o famoso Gwibber no meu Debian), descobri o genial choqoK, no comentário de um artigo sobre clientes GNU/Linux para o identi.ca (viram crianças? leiam sempre os comentários! ).

O choqoK veio repleto de boas surpresas. Em primeiro lugar, um cliente nativo para o KDE, o que já me deixou bem satisfeito porque ele se integraria perfeitamente ao meu desktop. Segundo, apesar de ser necessário compilá-lo, pois não existe pacote binário para a Debian, essa tarefa é tão simples que é até sem graça:

  • instale os pacotes: cmake e kdelibs5-dev;
  • descompacte o arquivo com as fontes;
  • entre no diretório onde as fontes forma descompactadas e crie o diretório build;
  • entre no diretório build e execute o comando: cmake -DCMAKE_INSTALL_PREFIX=`kde4-config --prefix` ..
  • ao final da execução, execute os tradicionais comandos: make e, depois make install (esse último deve ser executado como root ou então usando o recurso de sudo)

Feito isso, ele estará pronto para ser executado.

A terceira surpresa veio quando abri o programa. Ele é muito bem feito e possui um design funcional e agradável. Dêem uma olhada nas telas abaixo pra terem uma idéia (mais imagens podem ser encontradas na seção screenshots do sítio oficial). Com o choqoK é possível acompanhar várias contas, simultaneamente, tanto no identi.ca quanto no Twitter. E ele possui alguns filtros legais, como por grupos (no caso do identi.ca), por etiquetas e o de ver as publicações do e para determinado usuário. Isso é perfeito para aqueles momentos em que alguma pessoa que você está seguindo está na maior conversa com alguém e você fica boiando no assunto, pois não segue a outra pessoa. Isso tudo além das tradicionais funções de responder às publicações, torná-las favoritas e enviar mensagens diretas.

Em resumo, se você quer um cliente bacana para identi.ca e Twitter, experimente o choqoK e seja feliz. 

Tela principal do choqoK

 

Janela de filtragem do choqoK

GCompris, o caso português e o desenvolvimento do software livre

No dia 7 de março desse ano, o Expresso, um jornal português fez uma denúncia de que havia encontrado 80 erros de português no Magalhães, um Classmate da Intel que está sendo distribuído nas escolas portuguesas (aos moldes do projeto UCA – Um Computador por Aluno, aqui no Brasil). Isso provocou um verdadeiro rebuliço por lá, especialmente na comunidade de software livre portuguesa. Por que? Os erros foram encontrados na tradução do GCompris para o português de Portugal. 

A coisa ganhou proporção, com direito à réplica da Caixa Mágica Software, que desenvolveu a distribuição Caixa Mágica, que vai nesses computadores e tréplica do Expresso, que pode ser vista nessa reportagem, juntamente com outros links sobre o assunto (de quebra, tem também uma nota sobre o assunto no BR-Linux).

Resultado? Foi feito o lançamento de uma nova versão do GCompris (que, coincidentemente, já estava agendada para ontem, há duas semanas) com as correções. Infelizmente o governo já havia demandado a retirada do GCompris de todos os computadores…

O que tivemos aqui foi uma sucessão de erros que serviram pra mostrar como as pessoas (e, especialmente algumas empresas) ainda não entenderam muito bem o modelo de desenvolvimento do software livre.

Primeiro, pelo pouco que eu acompanhei do processo do Magalhães em Portugal, o governo o anunciou como a oitava maravilha do mundo, um equipamento que iria revolucionar as escolas portuguesas. Resultado? Tornou-se um alvo fácil para críticas. Afinal, quanto maior o alarde, maior o estrago quando se encontra alguma falha. Segundo, a empresa Caixa Mágica Software não se deu ao trabalho de avaliar o que estava vendendo. Isso pode parecer uma afirmação forte, mas é exatamente isso. Uma distribuição GNU/Linux não é um produto único, monolítico. Ela é a reunião de dezenas (ou milhares) de softwares, cada um vindo de um lugar, com equipes e rotinas de desenvolvimento diferentes e que, na maioria da vezes, têm em comum somente o fato de funcionarem no GNU/Linux. Dá muito trabalho manter uma distribuição, especialmente se o seu objetivo é vendê-la, e, pior ainda, se ela for vendida para a área educacional, onde erros podem provocar um grande estrago. Por fim, os erros de português realmente existiam. O próprio responsável pela tradução assumiu isso na lista de discussão do GCompris. Mas é interessante destacar que esses erros já estavam lá há algum tempo (segundo o tradutor) e ninguém nunca se deu ao trabalho de corrigi-los. Nem a Caixa Mágica Software, que mantém a distribuição Caixa Mágica desde 2004.

O mais asustador é que essa não preocupação com o que se vende é mais comum do que se pensa. Aqui no Brasil existem vários casos de empresas que fazem isso – algumas ainda pior: desenvolvem distribuições para projetos do governo e, ao término do contrato, param de mantê-la, deixando os seus usuários na mão.

Essa (suposta) ausência de responsabilidade é um dos grande equivocos no qual os "vendedores de software livre" incorrem. Muitas dessas empresas ainda estão acostumadas com a lógica do software proprietário, em que o produto está (teoricamente) "pronto". O desenvolvimento do software livre é muito mais dinâmico. Empresas que querem trabalhar com ele, têm que levar isso em consideração. Infelizmente a maioria só vê os softwares livres como uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil e acabam cometendo o mesmo erro que a empresa portuguesa: vendem algo que não conhecem.

Ironicamente, esse evento serviu para mostrar que o software livre não é uma "caixa mágica". Ele é o produto do esfoço de várias pessoas. E como tal, está sujeito a erros, afinal de contas, os seres humanos têm essa mania de não serem perfeitos.

P.S.: Caso alguém encontre erros na tradução do GCompris para o nosso português, por favor, antes de publicar no jornal, entre em contato comigo para eu tentar corrigir, ok?