Como instalar a versão desktop do Telegram no GNU/Linux

Algumas pessoas que eu conheço usam o cliente do Telegram no GNU/Linux, mas sempre surge alguma dúvida de como instalá-lo. Apresento aqui uma descrição de como eu faço na Debian, de uma forma que não precisa de senha de root nem sudo.

Dessa forma é possível utilizá-lo em qualquer computador.

  • Crie um diretório bin no seu diretório home:

mkdir ~/bin

  • Verifique se existem as linhas abaixo no arquivo .profile que está dentro do seu home (normalmente elas vẽm por padrão em instalações Debian). Caso elas não estejam lá, acrescente-as.
    if [ -d "$HOME/bin" ] ; then
    PATH="$HOME/bin:$PATH"
    fi
  • Baixe a versão mais recente do Telegram a partir dessa página: https://desktop.telegram.org/ . Para esse exemplo, vamos salvar o arquivo no diretório /tmp. Você também pode já abri-lo diretamente com o programa de descompactação, caso queira.
  • Descompacte-a no diretório ~/bin criado anteriormente. Ele vai criar um diretório Telegram lá. Utilizando a instrução anterior como exemplo, o arquivo estará salvo no diretório /tmp e pode ser descompactado com a sequência de comandos abaixo (pode ser que o nome do arquivo seja diferente quando você fizer o download):
    cd ~/bin
    tar xvf /tmp/tsetup.1.0.29.tar.xz
  • Ainda no diretório ~/bin, crie o link simbólico para o executável do Telegram:
    ln -s Telegram/Telegram telegram
  • E pronto. Agora você já pode digitar telegram, no gerenciador de arquivos, no terminal ou no lançador de aplicações (acessível pelo Alt-F2) para abrir o programa. Ou pode criar um atalho para ele.

Como imprimir múltiplas páginas no BrOffice/OpenOffice.org

Deparei-me aqui com um problema aparentemente simples, mas que me deu trabalho pra resolver. Estava precisando imprimir um documento muito grande no BrOffice Writer, em uma máquina com a Debian Squeeze. Para economizar papel, resolvi imprimir duas páginas do documento por cada face da folha.

Acostumado a fazer isso sempre com documentos PDF, achei que seria o mesmo caminho no Writer. Mas foi aí que me dei conta que a janela de impressão do BrOffice é diferente das outras aplicações do sistema (mesmo quando estão instalados os pacotes de integração com o KDE e com o GNOME) e ela não tinha a opção de múltiplas páginas por face.

Depois de alguma pesquisa, descobri que tem jeito de fazer isso e nem é muito complicado, mas não é nada intuitivo.

Para ativar essa opção, vá até o menu Arquivo e selecione a opção Visualizar página (ou clique no ícone correspondente, que fica na barra de ferramentas). A tela mudará para o modo de visualização de páginas, bem como os ícones da segunda fileira, que se tornam as ferramentas de manipulação da visualização. Clique agora no segundo ícone da direita para a esquerda (é o ícone ao lado do escrito Fechar visualização). Verifique na imagem abaixo. É o ícone marcado com um quadrado vermelho.

Barra de ferramentas do BrOffice, indicando qual é o ícone correto

Para se certificar que é o botão correto (pois ele pode estar diferente, dependendo do tema utilizado), pare o cursor do mouse sobre ele e veja se aparece a explicação Opções de impressão da exibição de páginas. Clique nesse ícone e, na janela que se abre, selecione em quantas linhas e quantas quantas colunas o texto deverá ser distribuído. O resultado de como será a impressão é exibido do lado direito da janela. Dependendo de efeito esperado, será necessário deixar a página como "retrato" ou "paisagem", o que pode ser alterado nessa mesma janela, na sua parte inferior. É importante destacar que todas essas configurações referem-se somente à visualização (e, consequentemente, à impressão) do texto. Ou seja, o seu documento irá preservar as configurações originais de orientação e layout definidas previamente, independente do que você configurar aqui.

Feitas as definições desejadas, é hora de mandar imprimir. E aqui tem uma pegadinha. Você não pode usar a opção Imprimir que fica no menu Arquivo, nem o atalho Ctrl+t, pois dessa forma você irá imprimir o texto original. Para usar as configurações definidas aqui, é nessário usar o botão que fica ao lado do que você clicou anteriormente. Ele está indicado na imagem abaixo, também marcado em vermelho, e a dica que aparece quando se coloca o cursor sobre ele é Imprimir exibição de página.

Barra de ferramentas do BrOffice, indicando qual é o ícone correto

Ao clicar nesse botão aparecerá uma janela idêntica à janela normal de impressão. Entretanto ela irá imprimir o texto usando as definições de layout de páginas que você efetuou. Configure a impressora com as opções desejadas, clique no botão Ok e pronto. Você estará imprimindo mais de uma página por face do papel.

Como atualizar o KDE para a versão 4.3 no Debian Squeeze

DepoKonqui, o mascote do KDEis de me cansar de ver inúmeros comentários maravilhosos sobre o novo KDE no identi.ca, resolvi experimentá-lo em minha máquina. O problema é que uso a versão testing da Debian (atualmente chamada "Squeeze") e os pacotes da versão 4.3 do KDE só estão disponíveis no repositório do unstable. Assim, munido de muita coragem (e ansiedade por experimentar a nova versão) resolvi atualizar o KDE a partir desse repositório. Apresento abaixo uma descrição do que eu fiz para colocá-lo em minha máquina. Atenção!!! Esse processo é bem artesanal e irá acrescentar pacotes do repositório unstable na sua máquina. Isso significa que o seu ambiente gráfico pode se tornar instável após a instalação (tudo bem que isso pode ser revertido voltando à versão anterior do KDE). Funcionou bem comigo, mas isso não significa que irá funcionar bem com você, ok? Além disso, esse não é exatamente um "guia para iniciantes". Quem for executá-lo deve ter um conhecimento mínimo de edição de arquivos do sistema e de funcionamento do aptitude. Bom, feito o meu alerta terrorista, vamos ao que interessa. 

Todos os passos descritos de aqui em diante devem ser realizados como usuário root ou utilizando o comando "sudo" antes dos comandos descritos. Em primeiro lugar, se você instalou o KDE a partir do metapacote kde-full, a primeira coisa a fazer é desinstalá-lo, com o tradicional aptitude:

aptitude purge kde-full --purge-unused

(o parâmetro "–purge-unused" serve para excluir os arquivos de configuração de todas as dependências que serão desinstaladas)

Agora acrescente um repositório unstable ao seu arquivo  /etc/apt/sources.list. Eu gosto do repositório do Instituto de Física da USP, mas você pode usar o que lhe convir. Repare que você não vai substituir o seu repositório testing, mas sim acrescentar o unstable. Veja abaixo de como ficaria um sources.list simples, apenas com as referências aos dois repositórios padrão da Debian.

## Debian Testing
deb http://sft.if.usp.br/debian/ testing main

## Debian Unstable
deb http://sft.if.usp.br/debian/ unstable main

para instalar estritamente pacotes livres. Ou então:

## Debian Testing
deb http://sft.if.usp.br/debian/ testing main contrib non-free

## Debian Unstable
deb http://sft.if.usp.br/debian/ unstable main contrib non-free

caso você não se importe em usar pacotes não livres. Se você é como eu, deverá também ter vários outros repositórios além dos citados acima, mas é importante que pelo menos os citados acima estejam presentes na sua máquina.

Entretanto, se você fizer somente isso, o seu sistema inteiro será atualizado para unstable. E você não vai querer isso, não é? Para evitar esse problema, basta acrescentar algumas linhas no seu arquivo /etc/apt/preferences. É comum que esse arquivo não exista no seu computador. Nesse caso, basta criá-lo. O conteúdo a ser inserido no arquivo é o seguinte:

Package: *
Pin: release a=testing
Pin-Priority: 900

Package: *
Pin: release a=unstable
Pin-Priority: 800

Explicando grosseiramente, o que as linhas acima fazem é informar ao seu sistema que os pacotes do repositório testing tem prioridade sobre os do unstable. Isso garante que ele não irá substituir nenhum dos seus pacotes por um instável. Repare em um detalhe. Os parâmetros "a=testing" e "a=unstable" fazem referência direta ao nome dos repositórios. Assim, se ao invés desses nomes você usou "squeeze" e/ou "sid" no seu sources.list (ou seja, se o seu arquivo não está igual ao exemplo que dei lá no início do artigo), então deve substituir também o "a=" com o valor correspondente, ok?

Após o acréscimo, atualize a base de dados:

aptitude update

Agora vem a pegadinha. Pelo menos até a hora que eu instalei o KDE não existia nenhum metapacote do tipo kde ou kde-full no unstable. Por isso é necessário especificar os pacotes manualmente. A lista de pacotes que eu precisei de instalar/atualizar foi a seguinte:

kdeadmin kdebase kdebase-runtime kdebase-runtime-bin-kde4 kdebase-workspace-kgreet-plugins kdebase-workspace-libs4+5 kdeedu kdegames kdegraphics kdelibs5 kdelibs5-dev kdemultimedia kdenetwork kdenlive kdepim kdepimlibs5 kdetoys kdeutils kde-icons-oxygen kde-l10n-ptbr kde-window-manager kdm klipper kscreensaver ksysguard libkephal4 libkfontinst4 libkdecorations4 libkholidays4 libkscreensaver5 libksgrd4 libkworkspace4 libmaildir4 libnepomukquery4 libnepomukqueryclient4 libortp8 libplasma3 libplasmaclock4 libplasma-applet-system-monitor4 libplasma-geolocation-interface4 libprocesscore4 libprocessui4 libsolidcontrol4 libsolidcontrolifaces4 libsoprano4 libsoprano-dev libtaskmanager4 libweather-ion4 libzip1 plasma-widgets-addons plasma-widget-lancelot systemsettings

Pode ser que isso mude de acordo com a máquina do usuário, devido a forma como o seu Debian foi instalado. Eu também posso ter deixado passar algum pacote que ainda não dei falta. Eu gerei essa lista através de tentativa e erro, ou seja, fui tentando instalar os pacotes até não ter mais nenhum problema insolúvel de conflito. Portanto, mais uma vez, pode ser que funcione na sua máquina, pode ser que não. Comentários sobre isso são bem vindos, especialmente se você detectar algum pacote ausente. Dando continuidade, então, instale os pacotes com o comando:

sudo aptitude -t unstable install kdm kdeadmin kdebase kdebase-runtime kdebase-runtime-bin-kde4 kdebase-workspace-kgreet-plugins kdebase-workspace-libs4+5 kdeedu kdegames kdegraphics kdelibs5 kdelibs5-dev kdemultimedia kdenetwork kdenlive kdepim kdepimlibs5 kdetoys kdeutils kde-icons-oxygen kde-l10n-ptbr kde-window-manager klipper kscreensaver ksysguard libkephal4 libkfontinst4 libkdecorations4 libkholidays4 libkscreensaver5 libksgrd4 libkworkspace4 libmaildir4 libnepomukquery4 libnepomukqueryclient4 libortp8 libplasma3 libplasmaclock4 libplasma-applet-system-monitor4 libplasma-geolocation-interface4 libprocesscore4 libprocessui4 libsolidcontrol4 libsolidcontrolifaces4 libsoprano4 libsoprano-dev libtaskmanager4 libweather-ion4 libzip1 plasma-widgets-addons plasma-widget-lancelot systemsettings

Sim, tudo isso aí em cima é uma única linha de comando. Cuidado na hora de copiar e colar para que você não insira nenhum espaço extra ao final das linhas. E se você for observador(a), irá reparar que existe um parâmetro diferente no aptitude acima: "-t unstable". Lembram que acrescentamos umas linhas no arquivo preferences, pra impedir que o aptitude instale pacotes do unstable inadvertidamente? Pois bem, o parâmetro "-t" informa ao programa que ele tem que instalar os pacotes seguintes (e suas dependências) a partir do repositório especificado. Nesse caso, o unstable.

Ao executar o comando acima, o aptitude irá lhe informar que existem dependências a serem resolvidas. Não se assuste com isso. Aceite as sugestões propostas por ele. Serão exibidas então as informações de instalação. Mais uma vez autorize e o processo de download/instalação será iniciado. Ao final de tudo, seu novo KDE estará instalado e configurado e você poderá aproveitar todas as novas opções legais dele. Divirtam-se! Ah, e comentem se a explicação funcionou ou não pra vocês. 

Software livre: liberdade de uso e acesso ao conhecimento

Algumas pessoas costumam me pedir para escrever algo que esclareça de maneira simples o que é o software livre. Resolvi colocar então aqui um texto que eu produzi há algum tempo sobre o assunto. Ele é voltado para pessoas leigas no assunto e foi escrito de maneira bem simples. Sugestões e correções são bem-vindas nos comentários… 


Um software, que também recebe o nome de programa, é um conjunto de instruções que indicam aos computadores como realizar determinadas tarefas. Assim, temos softwares para digitar texto, visitar páginas da Internet, fazer cálculos, entre outros. O problema é que geralmente esses programas são proprietários, ou seja, eles pertencem à empresa que os produziu. Isso significa que quando uma pessoa adquire um software ela está, na verdade, pagando pelo direito de usar esse programa, que continua sendo propriedade da empresa produtora. Por causa disso, esse programa não pode ser compartilhado com outras pessoas e nem alterado, mesmo se ele possuir erros que possam prejudicar o trabalho de alguém. Além disso, alguns softwares são proibidos de serem comercializados em determinados países do mundo, devido a várias questões, entre elas, embargo comercial. Por fim, temos também a questão da segurança. Não existe nenhuma garantia plena de que esses programas não possuam brechas (propositais ou não) em seu funcionamento que permitam, por exemplo, que a empresa produtora (ou algum associado dela) tenha acesso não autorizado aos computadores e dados dos seus usuários.

Com o software livre a situação é diferente. Eles podem ser usados para qualquer fim sem nenhum tipo de restrição, seja de país, organização política ou credo religioso. Podem ser distribuídos livremente por qualquer pessoa e todos podem estudar a sua estrutura, o que permite a qualquer um entender o seu funcionamento. Além disso, eles podem ser alterados à vontade, seja para serem adaptados a uma necessidade específica, ou mesmo para corrigir algum eventual erro.

Devido ao seu dinamismo, a manutenção dos softwares livres cria uma estrutura de comunidade muito interessante, onde indivíduos literalmente espalhados pelo mundo inteiro contribuem para a produção de um bem comum. A única condição que as pessoas devem respeitar é que, ao usarem ou modificarem esse tipo de programa, ele deve continuar plenamente disponível para todos. Ou seja, você não pode se "apropriar" de um software livre e torná-lo proprietário. Ele é livre e deve continuar assim.

Atualmente estão sendo produzidos milhares de programas que seguem essa filosofia, para os mais diversos fins. Desde alguns genéricos, como por exemplo, editores de texto, planilhas eletrônicas e navegadores de Internet, até outros bem específicos, como gerenciadores de acervos de bibliotecas ou de clínicas médicas. Hoje em dia, praticamente todos os softwares proprietários tem algum correspondente livre, sendo que as versões livres muitas vezes apresentam menos problemas e mais recursos que o similar proprietário. Existem até mesmo alguns sítios que mantém tabelas de equivalência entre softwares livres e proprietários, como o Open Source as Alternative, The Linux Alternative Project e The table of equivalents/replacements/analogs of Windows software in Linux. São todos em inglês, mas bem simples de serem consultados.

Obviamente, para que esse movimento continue ativo, é necessário que as pessoas contribuam com ele. Programadores podem aprimorar softwares já existentes ou criar novos. Pessoas com conhecimento de outros idiomas podem traduzir as interfaces. E mesmo se você não possui nenhuma dessa habilidades, pode contribuir, simplesmente usando os softwares livres, informando aos responsáveis os erros que você encontrar e difundindo a idéia do movimento entre seus conhecidos. É com a colaboração de cada um de nós que o software livre irá ganhar força e se tornar cada vez mais popular. Daí a importância de todos na difusão desse ideal.