Eu e o “despertar do gigante”

Começo indicando esse texto aqui (dica do @Sérgio F. de Lima ), que contempla um pouco do que eu penso sobre a origem dessa onda de manifestações que estão acontecendo por todo o nosso país. E gostaria de acrescentar algumas coisinhas.

Primeiro, pra deixar bem clara minha linha de raciocínio, eu gosto de movimentos sociais e de ocupação das ruas, mas acho que pra isso tem que ter um mínimo de foco. Por um motivo bem simples, se você não tem uma pauta, o que você vai negociar? Vamos fazer um exercício mental. Na hipótese do governo falar, “ok, o que vocês querem para parar de ocupar as ruas?”, não dá pra responder “o fim da corrupção!”. Precisamos de algo mais concreto como “financiamento público de campanhas”, “limitação na criação de partidos” ou algo do gênero. Ou seja, se você não tem o que negociar, ou se sua pauta é vaga demais, então isso, pra mim, não é movimento, é catarse coletiva. Afinal, é fácil falar que você é contra a corrupção, mas a pergunta que fica é “você é à favor de que”?

E essa é minha maior queixa em relação a essa história toda. Estou com muita dificuldade em enxergar em que isso efetivamente colabora para tornar o nosso país melhor. Ok, posso estar sendo pessimista, posso não estar vendo a figura inteira, mas só pra citar dois exemplos, enquanto milhares estavam nas ruas, no dia 18 de junho Feliciano conseguiu empurrar a chamada “cura gay” e o Senado aprovou o Ato Médico. Ou seja, já que o movimento é plural, por que parte dele não se concentrou na Câmara e no Senado para trabalhar contra isso?

Além disso, a fala constante é de que o movimento é apartidário e não se aceitam bandeiras de partidos. Mas e os cartazes de “Abaixo os corruPTos” e “Fora Dilma”? Ninguém consegue enxergar o partidarismo disso? Ah, e um lembrete, se a Dilma saísse, assumiria o Michel Temer, que é o vice. Assustado? Pode piorar, pois se ele também saísse, assumiria o Presidente do Congresso, que é Renan Calheiros. Pois é gente. Cuidado com o que pedem, pois podem ser atendidos. :-)

Fiquei também muito incomodado com esse vídeo (especialmente a partir dos 4:05 minutos).



Peraí, pressão internacional? É assim que vamos mudar o país? Quer dizer que ao invés de fazermos a reforma que queremos, vamos esperar que a pressão externa faça isso por nós? Sou só eu ou mais alguém percebeu o quanto reacionário é esse chamado? Curiosamente o comentário mais votado desse vídeo (até agora, 21/06/13 às 11:49h) é esse:

tudo isso está acontecendo porque a classe média, que tem alguma cultura, esta se unindo, maior revolta irá acontecer em 2014, nas urnas, fora PT, fora toda a corja de corruptos que só querem o “venha a nós” e nunca o “vosso reino”, temos que mudar essa forma podre de democracia, essa forma deturpada isso que vivemos aqui no Brasil não tem nada com democracia, sou brasileiro, moro em brasília sei como o brasileiro é bom e como é grande o seu potencial só lhe falta acreditar em si mesmo.

Não é legal saber que a “classe média, que tem alguma cultura” é que está trabalhando para que o nosso país seja melhor? Isso realmente acalenta o meu sono à noite. :-) Além disso, acreditar que “o gigante acordou” só agora é desprezar os anos de ativismo que diversos movimentos sociais, que incluem em sua pauta as questões agrária, raciais, ambientais, de gênero, de defesa animal e de direitos civis. Essas pessoas realmente acreditam que ninguém protestava antes delas? É muita prepotência pro meu gosto.

É por essas e outras que tenho minhas ressalvas ao que está acontecendo. Fico triste com isso, de verdade. No início eu até acreditei que estávamos avançando em relação à participação popular, mas depois de ver as demandas conservadoras, como diminuição da maioridade penal, nacionalismo exacerbado e até mesmo intervenção militar, tenho andado desanimado. E muito desconfiado. Especialmente com o apoio que a mídia (que sempre condenou movimentos desse tipo) vem oferecendo, com coberturas especiais e editorais nos grandes jornais. Aliás, descobri que não sou só eu que estou com esse sentimento. A Lola conseguiu exprimir (como sempre de forma muito mais brilhante que eu) muito do que estou pensando em relação aos rumos que esse movimento está tomando. Como ela, eu não acredito em golpe. Mas acredito em oportunismo, bem como em cortina de fumaça.

Eu sinceramente espero estar enganado e que tudo isso seja paranoia minha, mas a história recente infelizmente me dá elementos demais para ser paranoico. Aguardemos pra onde isso nos leva…

Esqueçam as baratas, resistência é com o Tardígrado

A gente nem precisa procurar no espaço por criaturas bizarras. A Terra já tem o suficiente. Os Tardígrados (também conhecidos como ursos d’água) são animais de 0,1 a 1,5 mm que conseguem viver em temperaturas extremas, sem comida e água e até sob radiação intensa por meses, em um estado de dormência.
Essa foto é do bicho de verdade, feita em um microscópio eletrônico e com realce de cores. Ah, e o verde não é uma toalha, é musgo. :-)

APOD: 2013 March 6 – Tardigrade in Moss

Explanation: Is this an alien? Probably not, but of all the animals on Earth, the tardigrade might be the best candidate. That’s because tardigrades are known to be able to go for decades without food or water, to survive temperatures from near absolute zero to well above the boiling point of water, to survive pressures from near zero to well above that on ocean floors, and to survive direct exposure to dangerous radiations. The far-ranging survivability of these extremophiles was tested in 2011 outside an orbiting space shuttle. Tardigrades are so durable partly because they can repair their own DNA and reduce their body water content to a few percent. Some of these miniature water-bears almost became extraterrestrials recently when they were launched toward to the Martian moon Phobos on board the Russian mission Fobos-Grunt, but stayed terrestrial when a rocket failed and the capsule remained in Earth orbit. Tardigrades are more common than humans across most of the Earth. Pictured above in a color-enhanced electron micrograph, a millimeter-long tardigrade crawls on moss.

Qual o fato mais assombroso sobre o universo?

Essa pergunta foi feita ao astrofísico e divulgador científico Neil deGrasse Tyson e a resposta dele é simplesmente fantástica. Abaixo um vídeo com uma edição bacana feita sobre a resposta dele (ative a opção de legenda no vídeo pra ver em português):

E no vídeo abaixo outras perguntas que ele respondeu. A primeira, sobre educação de crianças também tem uma resposta ótima. :-)

Mal posso esperar para ver a sequência de Cosmos, que será apresentada por ele

Novas atividades do GCompris em um vídeo no YouTube

Bruno Coudoin, criador e mantenedor principal do GCompris publicou um vídeo no YouTubeapresentando as novas atividades da versão 12.11, que estará disponível na próxima semana.
Eu já testei aqui e elas estão realmente bem interessantes. E o vídeo dá uma boa ideia do funcionamento delas. Vale a pena assistir.




GCompris 12.11 (Only new activities) by Bruno Coudoin on YouTube

Alguns links da Lola sobre feminismo e um “bônus” do 300

Citei a @lolaescreva em meu texto anterior e resolver indicar aqui alguns links (dentre os vários textos que ela escreve) que ajudam a entender o meu embasamento para a discussão sobre o feminismo.

Essa é uma lista muito curta e bem focada nas questões da representação da mulher e o papel dos homens, por isso recomendo acompanhar o blog da Lola diariamente (sim, ela publica diariamente!) para uma visão mais geral do que ela defende. É sempre uma leitura muito prazerosa e didática. Os links estão em ordem cronológica, começando pelo mais antigo.

O problema de não ser o último homem na Terra

Coisinhas ainda na minha cabeça sobre o lingerie day

Machismo é tão natural que alguns nem notam

Cultura de estupro? Não, imagine!

Momentos de tensão numa palestra

Estatísticas pra você guardar e usar

Já o (infeliz) bônus é uma publicação do blog 300 de 2009, sobre o lingerie day. A publicação em si não tem muita diferença da produzida pela Lola e citada acima. Mas achei importante colocá-la aqui por conta de alguns comentários. Eles são de uma estupidez que beira o absurdo. Por isso valem como uma referência de como as pessoas podem ser intolerantes:

O #lingerieday não é coisa de outro mundo

Como desconsiderar mulheres e homossexuais (de uma só vez) brincando em eventos

É uma pena que no Latinoware desse ano (2012) vários avanços na discussão sobre o papel das mulheres na tecnologia foram jogados na lata do lixo deixados de lado, por conta de atividades paralelas à programação oficial. Nas tardes dos dia 17 e 18 foram organizados “concursos” para escolher a meninas que dançassem melhor. Mas entre os critérios de escolha estavam a idade e se elas tinham namorado. E entre as músicas escolhidas, o “repertório” variava do funk aos forrós com letras de duplo sentido. No dia 18 teve uma diferença, é que também teve uma parte masculina. Com dois detalhes. Aos homens não se perguntava se tinham namoradas e as músicas selecionadas faziam clara alusão ao homossexualismo (“YMCA“, “I will survive”  e “Robocop Gay“). Inclusive o critério de “seleção” era quem tinha maior “viadagem”.

Aí você vai falar, mas qual o problema disso? É só um farra, as meninas aceitavam dançar e até teve dança com os homens também. Mas considerar isso “só” uma farra é onde começa o problema. Não vou me alongar no problema das “brincadeiras” de conotação machista. A Lola faz isso com maestria, muito melhor do que eu. Mas acho importante destacar alguns pontos que indicam o problema.

  • Esse é um evento de software livre, um movimento que, em sua essência, deveria tratar todas as pessoas com igualdade e respeito. Colocar mulheres para rebolar e homens para dançar pejorativamente como homossexuais é o contrário disso. É reforçar estereótipos.
  • Em um evento como esse os “concursos” deveriam valorizar a inteligência e a criatividade das pessoas e não seu corpo, sua idade, seus relacionamentos nem o seu grau de “viadagem”.
  • Mostrar que mulheres são boas para rebolar e homens só podem se apresentar fingindo ser homossexuais reforça a ideia de que os homem (no sentido “macho” da palavra) tem o controle da situação e nunca é subjugado. Afinal os homens não estavam se apresentando como homens, mas sim como paródias homossexuais. Ou seja, eles não são assim, só estavam fingindo. Já as mulheres estavam no papel delas. A elas não foi pedido que agissem como lésbicas, mas como mulheres, cujo papel (na cabeça dessas pessoas) é rebolar, ser bonita e disponível para os machos presentes.
  • E o pior de tudo é tratar isso como “brincadeira”. Quando se adiciona o componente lúdico, além de desconstruir o discurso da crítica (afinal de contas, quem é contra “brincadeiras” é chato e resmungão), cria-se um precedente de que, quando é de brincadeira, vale tudo. O que me lembra uma série de “piadas” às quais não acho a melhor graça.

Portanto, acho que é hora de superarmos isso. Fazer mais do que simplesmente defender o software livre com falas, mas começar a fazê-lo também com ações. Inclusive nas cotidianas.

Atualização (21/10/2012): quero reforçar aqui, para evitar qualquer interpretação errada, que, como disse no início do texto, essas atividades que eu descrevi não faziam parte da programação oficial do evento. Eram atividades em paralelo que estavam acontecendo no espaço físico do evento. Além disso, como sei que nem sempre as pessoas leem os comentários, recomendo essa resposta que dei ao comentário do Alberto, uma vez que ela serve como complemento ao que eu escrevi aqui.

Resolvendo problemas de conectividade sem fio com a Intel Wireless-N 1000

Eu tinha um problema intermitente com o meu notebook Acer Aspire 1410 (o modelo de 11,6 polegadas). Ele usa um conector sem fio da Intel, cuja identificação que o lspcime fornece é:

02:00.0 Network controller: Intel Corporation Centrino Wireless-N 1000

O problema é que eu não conseguia manter a conexão com determinadas redes. Ele encontrava o access point, estabelecia a conexão e logo em seguida ela caía (às vezes nem chegava a conectar). Sempre atribuí isso a algum problema com a rede em si ou da forma como a minha máquina estabelecia a conexão. Mas como isso só acontecia de vez em quando, sempre deixava pra investigar o problema depois. Até que isso me encheu muito o saco no Latinoware desse ano (2012) e resolvi me dedicar um pouco mais ao problema.

Pois é. Repararam que usei o verbo “tinha” lá no início do texto? Isso é porque eu achei uma solução.  :-)  Aparentemente existe um problema com o driver desse dispositivo disponível na versão Wheezy da Debian e a banda N de conexão sem fio. Aí que eu fui sacar porque o problema era intermitente. Ele só acontece com roteadores que tenham suporte à banda N. O meu de casa, por exemplo, só tem suporte à B e G e por isso nunca tive problema lá.  :-)

E a solução do problema é maravilhosamente simples. Basta desativar o suporte à banda N no notebook. Pra isso, digite a seguinte sequência de comandos no terminal (repare que é uma única linha):

echo 'options iwlagn 11n_disable=1' | sudo tee /etc/modprobe.d/iwlagn.conf >/dev/null

Esse comando deve ser executado como usuário comum e subtende que você tenha o sudo ativo nas suas configurações e esse usuário seja liberado para executá-lo. Você também pode executá-lo como root (é só tirar o sudo da linha acima). Reinicie o computador em seguida e pronto. Pode partir para o abraço.  :-)

Eu encontrei essa preciosa dica nessa publicação do sítio de suporte do Ubuntu, o Ask Ubuntu.

Um texto meu lá no Caldeirão de Ideias

O atropelo dos últimos dias, nas vésperas das (frustantes) eleições aqui de BH, me mantiveram ocupado demais e eu não comentei aqui que meu amigo Robson Freire, que mantém o genial blog Caldeirão de Ideias me convidou para escrever um artigo a ser publicado lá. E o texto foi ao ar na sexta passada, dia 5 de outubro. O seu título é Educação e software livre: ética e técnica de mãos dadas e pode ser lido aqui.

Em breve eu o replicarei também aqui na teia e no SLEducacional, mas vou deixar um tempo exclusivamente no Caldeirão para não desviar as visitas de lá.

Mais uma vez agradeço o convite e o espaço gentilmente oferecido pelo Robson. É um prazer e uma honra poder aparecer em um espaço que eu respeito tanto quanto o Caldeirão de Ideias.