Alternativas livres para softwares das nuvens

Eu já abri mão de praticamente todos os serviços da Google há algum tempo, por uma série de motivos, entre eles a privacidade. Na verdade, sempre que possível, tento não me associar a serviços proprietários, especialmente aqueles nos quais não tenho controle sobre meus dados. E é interessante perceber que existem hoje várias alternativas livres a diversos serviços por aí na rede. Aí um conhecido me pediu para publicar algo sobre o assunto e resolvi então fazer a listagem abaixo.

Reparem que existem muitas outras alternativas além das que eu cito. As listadas abaixo são exclusivamente as que eu uso, pessoalmente ou no grupo Software Livre Educacional. Resolvi restringir a minha listagem porque sinto-me à vontade para indicar todos os softwares abaixo por experiência própria. É bom lembrar que estou citando softwares que estão instalados em uma hospedagem própria. Isso pode assustar as pessoas a princípio, mas hoje em dia está cada vez mais barato (e fácil) manter uma estrutura assim. E eu posso garantir que vale a pena ter seu próprio endereço web. Para uma listagem mais completa de alternativas, tem essa lista aqui, feita pelo projeto Debian.

Webmail: Roundcube – é um webmail muito versátil e com recursos interessantes, entre eles o de agrupar as mensagens pelo assunto (as chamadas threads, que o GMail chama de “conversas”). Como ele é o webmail padrão da Dreamhost (a hospedagem que eu uso atualmente), nem tive que me preocupar em instalar nada para uso próprio. Alternativa: SquirrelMail – outro excelente webmail, com uma cara simples, mas bastante recursos sob o capô. Infelizmente a versão instalada na Dreamhost é muito “capada”, por isso optei pelo Roundcube.

Sítio pessoal: WordPress – depois de muitos anos usando o Drupal, resolvi optar pelo WordPress pra manter a teia. Não que eu tenha alguma coisa contra o Drupal, muito pelo contrário (tanto é que o mantenho ainda no sítio do Software Livre Educacional), mas resolvi experimentar o WordPress porque estava procurando algo mais simples de gerenciar (eu adoro o painel de controle dele, que me permite uma visão geral do sítio). O legal do WordPress é que eles mantém um serviço de hospedagem gratuito, pra quem não tem hospedagem própria. Portanto, quando você ficar tentado a abrir um blog no Blogger, repense e abra no wordpress.com. Você não vai se arrepender. E se o seu blog já está lá no Blogger, não tem problema. O WordPress tem uma ferramenta interna que importa tudo do serviço da Google.

Agregador de publicações: Tiny Tiny RSS – quem é viciado no Google Reader não precisa se preocupar. O Tiny Tiny RSS tem um nome modesto, mas de “tiny” ele não tem nada. Esse agregador de publicações possui vários recursos e opções de configurações, entre eles: interface com vários elementos AJAX, que a tornam muito intuitiva e agradável de se usar; criação de filtros para pré-processamento dos artigos; definição de etiquetas; conexão com outras instâncias do Tiny Tiny RSS para compartilhamento de links populares e opção de se criar uma fonte RSS pública, onde são publicados os artigos que você definir. Ah, e de quebra ainda tem um cliente para Android, pra facilitar o acesso a ele. É uma farra.

Marcadores (Favoritos) públicos: aqui temos duas opções bem distintas: sabros.us e SemanticScuttle. O primeiro eu uso na minha coleção pessoal de links, lá na Biosfera. O segundo é usado lá na Bússola Educacional, coleção de links educacionais do Software Livre Educacional. O sabros.us é um serviço individual, ou seja, só é possível ter um usuário. Já o SemanticScuttle permite a inclusão de vários usuários que, colaborativamente, montam uma grande coleção de links (mas nada impede que esse software seja usado somente por uma pessoa).

Microblog: StatusNet – o identi.ca é um serviço de microblogagem cheio de recursos e uma alternativa interessante ao famoso Twitter. E o bacana é que ele funciona sobre uma plataforma livre chamada StatusNet, que pode ser instalada por qualquer pessoa. Mais interessante ainda é que as instâncias do StatusNet “conversam” entre si, usando um padrão de interoperabilidade de redes chamado “federação“. Ou seja, você pode instalar uma rede pessoal e acompanhar pessoas de qualquer outra rede com StatusNet no mundo.

Rede social: toda essa discussão sobre a Google acabou eclipsando uma ainda mais séria que é a invasão de privacidade das redes sociais, em particular o Facebook. E a boa notícia é que temos alternativas bem robustas de softwares livres para redes sociais. Seguindo a lógica de um ambiente centralizado com várias contas temos uma iniciativa brasileira, que é o Noosfero, o software que mantém, entre várias outras, a rede da Associação Software Livre, e o Elgg, usado há bastante tempo pela USP em sua rede Stoa. Temos também uma outra linha, de redes individuais que conversam entre si por federação (no mesmo estilo do software StatusNet). Nessa linha existe a atualmente badalada (e eternamente em desenvolvimento alfa) Diaspora* e a (muito melhor estruturada) friendica. Atualmente eu mantenho meu perfil social em uma instância da friendica, acessível nesse link. A rede social do grupo Software Livre Educacional também usa esse software e pode ser acessada aqui. E eu escrevi um pouco sobre a friendica aqui.

Galeria de imagens: Gallery – eu adoro fotografia e o Gallery é um software perfeito para montar álbuns tanto de fotos informais quanto profissionais. Ele possui diversos recursos que podem ser ativados sob demanda. Assim, você pode montar desde um álbum simples de fotos até uma estrutura complexa, com vários usuários, diferentes “portas” de entrada, diversos níveis de acesso e até mesmo recursos comerciais. É lá que eu mantenho a Galeria da teia (que, por sinal, eu pretendo dar mais atenção esse ano).

Comunicador instantâneo: apesar da quase onipresença do MSN Messenger e do Google Talk, existe uma alternativa livre também para o bate-papo eletrônico individual: é a rede Jabber. Ela é baseada no protocolo XMPP, o mesmo utilizado pelo Google Talk. Isso permite que essas duas redes sejam interconectáveis. Ou seja, usuários de uma rede Jabber podem conversar com outros da rede Google Talk. A rede Jabber também tem um caráter distribuído. Assim, qualquer um pode ter um servidor próprio e conversar com pessoas de qualquer outro servidor. Eu já fiz alguns testes (bem satisfatórios) de montagem de um servidor Jabber usando o software ejabberd. Mas hoje, para me poupar do trabalho, mantenho minha conta principal na (excelente!) rede Jabber-BR.

Bom, como eu disse no início, esses são os softwares que eu uso. A ideia aqui era passar um breve panorama das alternativas existentes a diversos serviços web. Entretanto, existe todo um conjunto de alternativas que podem atender melhor a determinadas demandas (mais uma vez, vale a pena visitar a lista mantida pelo projeto Debian, citada no alto desse artigo). E vocês, utilizam algum serviço/software livre na web?

Atualização em 02/03/12: Esqueci de comentar no texto acima que é possível fazer pesquisas na Internet sem ser rastreado pela Google. O startpage utiliza a própria base da Google, mas sem os cookies de rastreio dela, nem registro de IP (mais detalhes da política de privacidade deles aqui). Tem também o Duck Duck Go, que é ainda mais completo, pois a busca deles é independente. Eles afirmam ser muito preocupados com a privacidade individual. Ambos tem opção de serem acrescentados às buscas do Firefox/Iceweasel. Tenho usado os dois há algum tempo e os resultados são bem satisfatórios.

Friendica: liberdade e privacidade levadas à sério

Nesses tempos em que as redes sociais digitais ocupam um espaço importante não só na vida das pessoas como na mídia em geral, deveríamos estar cada vez mais preocupados com a privacidade e a segurança dos nossos dados. Afinal de contas, ao assinar um serviço oferecido por uma empresa, estamos sujeitos às regras dela, em uma relação do tipo “aceite ou saia fora”. Com isso, muitas pessoas abrem mão de sua privacidade em troca de um espaço na web. Experimente ler o item 11 dos Termos de Serviço do Google pra entender melhor do que você abre mão ao assinar qualquer serviço dessa empresa, como o Orkut, o Blogger e agora o Google+ (e aproveite para entrar em pânico). :-)

Softwares livres para redes sociais já existem há um tempo. O Elgg e o Noosfero são bons exemplos. Entretanto, eles ainda seguem o modelo padrão de uma instalação onde várias pessoas se conectam em uma instância única. O StatusNet (e a sua rede mais famosa, a identi.ca) começa a quebrar com esse modelo, ao usar uma rede federada, ou seja, instalações diferentes do StatusNet conversam entre si. Dessa forma, cada um pode ter a sua própria instância do software, sem perder a conectividade com outras pessoas, que participam de outras instâncias.

É aí que entra o Friendica. Este é um software livre para estruturação de redes sociais digitais que, inicialmente, não se diferencia muito de outras redes como a Facebook. Nele é possível publicar imagens, vídeos, textos e. atualmente, até agendamentos. Além disso, você pode acrescentar outras pessoas para acompanhar o que elas estão publicando. Entretanto, o Friendica tem alguns diferenciais interessantes.

O primeiro é que as redes montadas com ele são federadas. Ou seja, os usuários conseguem procurar (e se conectar) a pessoas de qualquer outra instalação do Friendica ou mesmo de outras redes federadas, como a identi.ca, por exemplo. Isso abre algumas perspectivas bacanas. Uma delas é que você não precisa confiar seus dados a uma empresa ou outra pessoa. Pode ter a sua instalação do Friendica em um servidor próprio (ou em alguma hospedagem), com controle total sobre tudo o que é seu, mas sem se isolar das outras pessoas, pois você não fica restrito somente às pessoas do seu servidor, ou mesmo de outras redes Friendica, pois é possível se comunicar com integrantes de qualquer outra rede federada. Na prática ainda existem algumas dificuldades para conexões plenas, mas os maiores problemas estão sendo resolvidos com o tempo e os resultados já são bem promissores. Já é possível hoje, pelo menos, acompanhar tudo o que as pessoas publicam nas outras redes.

E é nesse aspecto do software que reside outra característica muito interessante, que está na própria essência do software. A abordagem do Friendica, conforme anunciado no sítio do projeto, é que a Internet é uma rede social e o que o software faz é agregar várias conexões em um lugar só. Assim, conforme já falei acima, é possível, a partir de uma instalação do Friendica, acompanhar pesoas em várias outras redes, como Twitter, Facebook e identi.ca. Mais do que isso, é possível acompanhar até mesmo sítios que tenham fontes RSS e listas de discussão. Ou seja, com o Friendica, você tem não só uma rede social, mas também um agregador de toda a sua vida social na rede. E uma vez que essas conexões são gerenciadas a partir de plugins, é possível, literalmente termos conexões com qualquer recurso web que possua alguma interface de interação. Basta alguém produzir o plugin para isso.

O Friendica também tem um recurso que é particularmente interessante pra quem compartilha coisas diferentes entre grupos distintos. Nele, além do perfil público, visível para todos, é possível criar diversos outros perfis restritos e associá-los a contatos específicos. Dessa forma, cada contato visualiza somente aquilo que foi disponibilizado no perfil ao qual ele faz parte. E o legal é que os contatos podem fazer parte de mais de um perfil, o que facilita ainda mais o compartilhamento de conteúdos direcionados. Uma situação de uso direto desse recurso seria para o caso de professores, que querem manter um perfil social na web, mas gostariam de separar os assuntos entre seus amigos e alunos.

Com todos esses recursos (e vários outros que vêm surgindo constantemente na versão em desenvolvimento), o Friendica é um software que pode fazer uma grande diferença na forma como as pessoas se conectam na web. Resta-nos experimentá-lo e colaborar com o seu desenvolvimento, seja codificando, traduzindo, testando e informando sobre erros e recursos. Pra quem quiser experimentar, mas não tem hospedagem própria, já existem alguns servidores públicos disponíveis. Além desses, o grupo Software Livre Educacional está mantendo uma instância de testes: o Pátio, que ainda está aberto a novos cadastros. E quem quiser se conectar comigo, meu perfil público está aqui. Aguardo o contato de vocês. :-)

(Publicação atualizada para alterar o nome do software, de Friendika, seu nome original, para Friendica, seu nome atual. O motivo está aqui.)

E se a mancha de petróleo estivesse na minha casa?

Um dos maiores problemas que temos para avaliar o impacto de catástrofes ambientais é a noção da sua abrangência. Por exemplo, quando ouvimos que "quatro estádios de futebol são cortados por dia na Amazônia", até temos uma noção geral do que é isso, mas, ainda assim, a ideia acaba ficando meio vaga. Se considerarmos eventos de proporções maiores, como o grande vazamento de petróleo da British Petroleum no Golfo do México, isso fica ainda mais complicado.

Foi pensando especificamente nesse caso que o sítio If it was my home (algo como "E se fosse a minha casa") foi criado. Ele utiliza a tecnologia do Google Maps para colocar a mancha de petróleo sobreposta a um mapa da sua cidade (que o sítio descobre baseado no endereço IP da sua conexão). Um recurso interessante é que você pode deslocar a mancha para outros locais, o que ajuda ainda mais na comparação. Só agora, depois de ver no mapa, eu tive real dimensão da tragédia. E fiquei mais horrorizado do que já estava.  :-(

O If it was my home é uma ideia simples, mas bastante eficiente no que se propõe. Algo a ser considerado em outras campanhas e divulgações de notícias que envolvam eventos de dimensões maiores.

Mais um bug no Twitter

E acharam mais um bug no Twitter. Ontem (10 de maio de 2010) vários usuários começaram a reclamar que suas listas de seguidores e seguidos estavam zeradas. Detalhe, esse não era o bug, mas a correção dele. :-)

Twitter mortoO que aconteceu é que foi divulgada uma falha no Twitter que permitia que você acrescentasse qualquer pessoa à sua lista de seguidores. Bastava digitar accept nome_do_usuário e esse usuário automaticamente se tornava seu seguidor, sem nenhuma necessidade de confirmação por parte dele.

Agora o mais divertido foi a forma como o erro foi descoberto: por puro acidente. Isso mesmo. Segundo o sítio Mashable, um usuário turco, fã da banda de heavy metal Accept, publicou em seu Twitter a mensagem "Accept pwnz", como uma homenagem à banda (pwnz é uma expressão de exaltação, maiores detalhes no Urban Dictionary). Então ele percebeu que o usuário @pwnz passou a fazer parte da sua lista de seguidores. O descobridor do problema publicou em seu blog (em turco) o feito e aí um monte de gente passou a colecionar seguidores. Foi aí que a equipe do Twitter interviu, corrigiu o erro e zerou todas as contas, para poder restaurar ao estado anterior. Nesse momento começou caos entre as pessoas, que achavam que tinham perdido seus contatos. Mas tudo está bem agora (até o próximo problema, claro).  ;-)

Quando uma rede social do porte do Twitter deixa passar um bug, no mínimo primário, como esse, é sinal que alguma coisa não está muito certa. Pelo jeito o pessoal anda bem relaxado lá no viveiro do passarinho azul…

Ah, nem preciso comentar que o identi.ca, não possui esse problema, além de ter mais recursos que o Twitter e estar traduzido pro nosso (e vários outros) idioma, né? Então, o que você está esperando pra experimentar um microblog que funciona de verdade? E que tal me acompanhar lá?  ;-)

Você não controla mais a informação. E isso é bom!

O título desse artigo é a tradução de um slide que aparece na apresentação abaixo, originalmente obtida sítio do TED. Ativem a legenda em inglês para entender melhor, pois ele fala muito rápido.

Em resumo, o Greenpeace queria um nome que representasse as baleias para uma campanha e, dentre os diversos nomes eruditos que apareceram, surgiu um, em tom de brincadeira: "Mister Splashy Pants". É algo intraduzível para o português, mas basicamente brinca com a onomatopeia "splash" e o sentido de respingo, gerando algo similar a "Senhor Calças Respingadas".

O interessante é que o nome pegou e começaram a surgir diversas campanhas em prol dessa escolhas. O Greenpeace chegou a estender a votação por mais uma semana, pois achou que aquilo era só uma brincadeira. Mas a situação não mudou e o resultado final foi a vitória de "Mister Splashy Pants", com 78% dos votos (o segundo lugar ficou com somente 3%).

Voltando ao título do artigo, a lição principal que fica dessa história é justamente que você não controla aquilo que coloca na Internet. Se você abrir uma enquete, permitir que os usuários façam comentários em suas publicações, pedir por colaborações online, ou abrir espaço para qualquer outro tipo de interação, esteja preparado para qualquer coisa. E saiba que qualquer pessoa tem tanto poder quanto você na Internet. E isso não é ruim! Mesmo que existam os vandalismos, mesmo que possam surgir bobagens, o verdadeiro sentido da informação online é justamente esse: todos estão no mesmo nível e todos podem participar. É isso que apavora a grande mídia e é por isso que eles tentam, a todo custo, deter essa produção de informações.

Sei que vivemos momentos de medo, com blogueiros sendo processados em um ritmo cada vez mais intenso. Mas isso não deve ser utilizado como justificativa para impedirmos a participação das pessoas em nossas publicações. Quando fazemos isso, a Internet fica mais pobre, pois perde um importante componente que é a interação. Tentemos ser maiores que o nosso medo. Os resultados positivos podem não ser imediatos, mas com certeza estaremos contribuindo para a construção de uma Internet mais bacana.

Quando estava fechando esse artigo, recebi a indicação do Sérgio Lima sobre um artigo do blog do Glaydson Lima bem interessante que explica, de maneira bem clara, a questão legal dos comentários em blogs. Vale a leitura.

Como produzir favicons a partir de imagens GIF

Vocês já deve ter reparado que vários sítios possuem um pequeno ícone ao lado do endereço, na barra do navegador (a  teia, por exemplo, tem um "e" estilizado). O nome desse ícone é favicon, que é uma contração de "favorite icon", ou seja, "ícone de favorito". Isso porque a ideia surgiu originalmente no Internet Explorer 4 (sim, você leu direito, o Internet Explorer deu uma contribuição positiva para a Internet!!!) e servia para identificar os favoritos desse navegador. O seu uso se popularizou e hoje todos os navegadores mais conhecidos utilizam essa tecnologia.

Antes, para produzir um favicon, era necessário um conhecimento mínimo de manipulação de imagem, para deixá-la do tamanho certo (o favicon tem, por padrão, 16×16 pixels de tamanho). Agora existe um serviço web que simplifica absurdamente esse trabalho. É o FavIcon from Pics. Você envia a imagem a ser convertida, regula os parâmetros disponíveis e ele gera o ícone pra você. Tem até a opção de acrescentar um texto que fica passando como um letreiro. Uma mão na roda pra quem precisa produzir um (ou vários) favicons e está sem muito tempo ou ânimo pra abrir o editor de imagens.

Competição de breakdance: Batman vs. Curinga. Um jogo no… YouTube?!

Graças a um retweet da @liliansta, acabei de assistir a uma das ideias mais interessantes de uso do YouTube: um jogo! Isso mesmo, um sujeito identificado como PatrickBoivin produziu uma competição de breakdance entre Batman e Curinga na forma de vídeos do YouTube. As animações do jogo foram produzidas em stop-motion (muito bem feitas, por sinal!) e a interação é por conta do recurso de criar links de um vídeo para o outro. Funciona assim, você escolhe o seu jogador (o Batman ou o Curinga) no vídeo inicial e é levado a outro vídeo, onde aparecem os dois na mesma tela, com uma espécie de placar no alto. A partir daí o seu adversário executará uma série de movimentos de break na tela. Ao final, aparece uma sequência de letras no placar dele. Você deve esperar a mesma sequência aparecer no placar do seu jogador. Quando isso acontecer, clique no botão de interação, que fica no meio da tela ao alto. Se você conseguir clicar a tempo, ele executará a mesma sequência (com alguns acréscimos legais). Como é mais fácil ver do que explicar essa dinâmica, experimente na tela abaixo. Você também pode jogar no próprio YouTube.

A jogabilidade em si é simples e limitada, pois as sequências serão sempre as mesmas. Mas a ideia do jogo é muito interessante e abre algumas perspectivas bacanas de como utilizar o YouTube para outras coisas além de só assistir aos filmes. Vamos ver se outras ideias legais surgem na esteira dessa.

Mudando a “identidade” do seu Firefox

O (suposto) navegador web Internet Explorer reconhece uma série de sintaxes HTML fora do padrão internacional definido pelo W3C. E não reconhece (ou passou a reconhecer tardiamente) alguns elementos que já são padrão, como, por exemplo, o fundo transparente de imagens PNG (se você é um infeliz usuário do IE até a versão 6, vai ver um fundo branco no logo da teia, lá em cima, ao invés da transparência).

Essas incompatibilidades são o inferno dos desenvolvedores web, que acabam tendo que criar truques para adequar suas páginas a vários navegadores. Infelizmente alguns (também supostos) desenvolvedores nem se dão a esse trabalho. Simplesmente criam uma página que, teoricamente, só funciona no Internet Explorer e colocam um aviso de exclusividade de navegador (os famosos "Essa página é melhor visualizada no Internet Explorer"). Alguns outros fazem ainda pior e embutem códigos de JavaScript que simplesmente impedem o seu acesso à página caso você não utilize o (pretenso) navegador. Com isso, muita gente que não estão usando o dito cujo acham que a culpa é do navegador, numa falsa ilusão de que o produto da Microsoft é melhor porque abre qualquer página.

O Firefox pode se identificar como outros navegadoresMas como é que os desenvolvedores sabem qual navegador está acessando seu sítio? Simples. Toda vez que o navegador faz a requisição da página para o servidor onde ela está hospedada, ele envia uma série de informações chamadas User Agent strings, que, normalmente, possuem os seguintes dados: nome e versão do navegador, sistema operacional do usuário e o idioma preferencial. É graças a essas informações que, por exemplo, serviços de estatísticas conseguem dizer quais navegadores chegaram ao seu sítio.

Entretanto você pode alterar essas informações enviadas pelo seu navegador. Pra quem usa o Firefox, é possível fazer isso manualmente alterando as configurações do navegador através do recurso about:config. Ou usar um complemento que simplifica bem o seu trabalho: o User Agent Switcher. Após instalá-lo, sempre que quiser mudar a "identidade" do seu navegador, basta ir até o menu "Ferramentas", escolher a opção "User Agent Switcher" e selecionar a desejada. Inclusive o complemento tem uma opção para acrescentar novas informações de User Agent. Isso, associado às informações disponínveis no excelente sítio User Agent String.Com, lhe dão recursos para assumir a identidade de qualquer navegador, em qualquer sistema operacional e em qualquer idioma.

Experimente esse complemento e supreenda-se ao descobrir que muitas páginas "melhor visualizadas no Internet Explorer", funcionam perfeitamente bem no Firefox.

Quer hospedar um sítio? Fuja da SunHost…

Em outubro de 2007 eu migrei a teia para a DreamHost, hospedagem que eu uso até hoje. Não que tenha alguma coisa contra hospedagens nacionais. Mas a relação custo/benefício deles é excelente, pro nível de serviço que eu quero. Existem várias hospedagens boas aqui no Brasil. Entretanto existem algumas complicadas. E é justamente de uma dessas que eu vou falar aqui.

A Ângela Glavam, uma velha conhecida de listas de discussão, mantenedora dos sítios Bibi-Piaf e Toque de Arte, enfrentou uma série de problemas com a SunHost (o sítio dela que estava hospedado na SunHost é o Toque de Arte). Fiquei tão assombrado com o nível do atendimento deles que pedi a ela que descrevesse os fatos para colocar aqui na teia. Abaixo está o relato que ela me enviou.

Contratei os serviços de hospedagem de site da empresa SUNHOST INFORMATICA (SUNHOST INFORMATICA LTDA – ME/Rua FERNANDO GRUBER Nº 155 Sl. 01 – Bairro 25 DE JULHO -São Bento do Sul – SC – CEP: 89.290-000 – CNPJ 08.689.306/0001-09) há algum tempo.
Em 7 de março do corrente ano (2009) paguei adiantada a anuidade da hospedagem. Na semana passada o site apresentou problemas de segurança (indicados em email enviado pelo Google) e foi resetado. Desde então não consegui mais fazer nenhuma publicação nele, já que um problema no Painel de Controle impede que as extensões Front Page sejam instaladas corretamente e, sem elas, o site não funciona na totalidade.
Após 5 dias de intensa troca de emails e promessas de que o problema seria resolvido (não foi resolvido até hoje, dia 18 de maio de 2009) solicitei o cancelamento da minha conta e o reembolso da quantia equivalente aos 10 meses de serviço de hospedagem ainda não utilizados.
Resposta da Sunhost:
"Conforme já informado e explicado não será feita nenhuma devolução do valor pago."
Diante da recusa, argumentei que a empresa está abusando da boa-fé e da honestidade do cliente, que sua propaganda é enganosa , nenhum chat anunciado funciona e não há qualquer telefone para contato como manda a lei. Disse-lhes não saber se tais atitudes são produto de má-fé, se desconhecem a Lei ou se simplesmente esperam permanecer impunes. Avisei que estava enviando a mensagem com cópia para a Defesa do Consumidor de O Globo e publicando nos principais serviços de Defesa do Consumidor na Internet e que mantenho registro de toda a correspondência que trocamos, onde se vê claramente a Sunhost enviar respostas que não respeitam a veracidade dos fatos.
Resposta da Sunhost:
"A Sra. pode fazer essas ‘denúncias’ sem problema nenhum, mas já lhe adianto que estará apenas perdendo seu tempo."
Em novo email para a empresa, desautorizei o cancelamento da conta até que façam a devolução do valor referente a não utilização da hospedagem por 10 meses, segundo contrato com validade de 17 de março de 2009 a 17 de março de 2010.
A recusa persiste – "Só efetuamos devolução do valor pago para novos clientes e no prazo de 30 dias, fora isso somente em algum caso especial, o qual não se enquadra o seu. Podemos cancelar sua conta?" – demonstrando cabalmente o descaso pelo direito do consumidor e pela lei.

Não é meio assustador quando uma empresa escreve um e-mail  (ou seja, um documento) declarando ser perda de tempo exigir seus direitos? O que eles pensam dos seus clientes?

E o pior é que, infelizmente, eles não estão sós nesse descaso, vide as diversas reclamações contra outras empresas que vemos diariamente. Será que algum dia essas empresas vão perceber que sem clientes elas não sobrevivem? E será que esses clientes algum dia aprenderão que a melhor forma de cobrar uma postura mais decente dessas empresas é justamente boicotando seus serviços e denunciando seus erros?

E vocês, amigos? Já passaram por problemas assim? E como reagiram a eles?

Ambiente desktop livre ilustrando vídeo da Microsoft – ATUALIZADO

Entre rápido nessa página da Microsoft (você leu direito, é da Microsoft mesmo). Resista ao apelo no alto da tela para "Upgrade your Internet Experience" (com o ameaçador ícone do Internet Explorer ) e olhe bem para a imagem que se encontra no meio da tela à direita (agora é tarde, já mudaram a imagem, mas fica o registro e a "prova do crime"). Essa imagem é um link para um vídeo. A chamada é bem clara: virtualização de outros ambientes Windows no novo Windows 7 (e o vídeo trata justamente disso). Ou seja, uma imagem mostrando o Windows XP, que pode ser virtualizado dentro do Windows 7, certo? Errado! Olhe novamente a imagem.

Tela do XPDE
 

Essa tela, na verdade é do XPDE, um ambiente desktop para GNU/Linux que tenta imitar ao máximo a aparência do Windows XP. Detalhe, essa imagem que aparece no sítio da Microsoft é essa aqui, da galeria de imagens do XPDE (tem até o Gimp na barra de tarefas). Compare as duas e repare que a imagem que está no sítio da Microsoft foi cortada na sua parte superior.

Pois é, pelo jeito os desenvolvedores do XPDE conseguiram seu intento. O ambiente ficou tão parecido com o Windows XP que até a Microsoft se confundiu.    Ou será que esse é um reconhecimento de que o design do software livre é mais apresentável que o do Windows? Resta a dúvida… 

Ah, caso a Microsoft mude a tela, aqui tem uma captura da mesma, para fins históricos. E a dica da página veio do Djavan Fagundes, via identi.ca.

Atualização:

O Djavan fez a correção nos comentários: quem deu a indicação inicial não foi ele, mas o Lucas Mezencio, que tem um blog legal e acabou de escrever um artigo sobre um tema que eu já ia colocar aqui na teia: QRCodes. Ele é um sem-graça. 

Outra atualização (15/05/2009):

Eu falei pra vocês entrarem rápido na página, não falei? Pois não é que a Microsoft atualizou a imagem? Ainda bem que eu fiz uma captura da tela pra documentar a bobagem. Só falta agora falarem que foi montagem…