jun 022010
 

Um dos maiores problemas que temos para avaliar o impacto de catástrofes ambientais é a noção da sua abrangência. Por exemplo, quando ouvimos que "quatro estádios de futebol são cortados por dia na Amazônia", até temos uma noção geral do que é isso, mas, ainda assim, a ideia acaba ficando meio vaga. Se considerarmos eventos de proporções maiores, como o grande vazamento de petróleo da British Petroleum no Golfo do México, isso fica ainda mais complicado.

Foi pensando especificamente nesse caso que o sítio If it was my home (algo como "E se fosse a minha casa") foi criado. Ele utiliza a tecnologia do Google Maps para colocar a mancha de petróleo sobreposta a um mapa da sua cidade (que o sítio descobre baseado no endereço IP da sua conexão). Um recurso interessante é que você pode deslocar a mancha para outros locais, o que ajuda ainda mais na comparação. Só agora, depois de ver no mapa, eu tive real dimensão da tragédia. E fiquei mais horrorizado do que já estava.  🙁

O If it was my home é uma ideia simples, mas bastante eficiente no que se propõe. Algo a ser considerado em outras campanhas e divulgações de notícias que envolvam eventos de dimensões maiores.

jan 052009
 

A Miriam Salles indicou, no seu blog, uma animação de Juan Pablo Etcheverry, baseado em uma história infantil do José Saramago. A animação é esteticamente muito interessante e a história é bonita e gera uma boa reflexão. Vale a pena conferir a publicação da Miriam, onde é possível assistir ao vídeo, que está disponível no YouTube.

out 102008
 

Sabe quando você quer imprimir uma determinada informação de uma página Web, mas ela está tão cheia de propagandas, colunas, selos e outros penduricalhos que você até desiste? Ou então você quer aproveitar somente parte da informação, mas desanima quando pensa no tanto de papel que vai gastar pra imprimir todo o conteúdo que não lhe interessa? (sim, eu sou um daqueles "chatos" que pensa nas árvores quando esta usando a impressora…) Pois bem, meu amigo, minha amiga, "os seus problemas se acabaram"!®  Logotipo do sítio PrintWhatYouLike

Graças ao Andreas Gohr (criador e mantenedor do DokuWiki) e seu perfil splitbrain no Twitter, conheci hoje o serviço PrintWhatYouLike. Como o nome indica, esse sítio permite que você selecione somente os elementos que deseja imprimir na página, literalmente excluindo todo o resto. É possível, inclusive, remodelar toda a página, mudando o estilo e o tamanho das fontes.

Sua operação é muito simples. Você vai até o sítio PrintWhatYouLike e digita a página que deseja imprimir. Essa página é carregada em uma janela com uma série de comandos em uma barra do lado esquerdo da tela. A partir daí ao passar o mouse sobre a página vão aparecendo marcas para selecionar os seus elementos. Quando você clica, é feita a seleção. Basta selecionar tudo o que deseja eliminar e clicar no botão "Remove Selected", localizado na coluna da esquerda. Também é possível fazer o contrário, ou seja, selecionar somente o que se deseja imprimir e clicar no botão "Isolate Selected". Dessa forma, todo o resto da página que não estiver selecionado será eliminado. Além disso é possível eliminar todas as imagens ("Remove Images") ou a cor ou imagem de fundo ("Remove Background") e, como dito acima, mudar o tamanho e o tipo da fonte. Ah, e caso faça alguma bobagem, não se preocupe, o botão "Undo" possui múltiplos níveis de desfazer.

Na página principal existe um gif animado que demonstra muito bem como funciona o processo de alteração da página. E eles ainda oferecem uma facilidade extra: é possível instalar um bookmarklet na barra de favoritos que simplifica ainda mais o processo. Basta entrar na página que se deseja imprimir e clicar no bookmarlet que ela já será aberta na janela de edição do PrintWhatYouLike. Com todas essas vantagens, o que eu tenho a dizer é: usem e abusem desse serviço! O meio ambiente e o seu bolso irão agradecer muito.

Uma dica final. Acompanhem o Andreas no FriendFeed. O sujeito dá MUITAS dicas boas. Já virou um dos meus "tecno-gurus"… 

out 032008
 

Há algum tempo eu publiquei aqui minhas impressões sobre o vídeo "History of Stuff". Pois recebi ontem um comentário da Nina Garcia nesse meu artigo com uma ótima notícia: a comunidade Permacultura do Orkut produziu uma versão dublada e um sítio brasileiro dedicado ao documentário. Inclusive o vídeo está disponível em vários formatos, o que é perfeito para ser utilizado em sala de aula ou mesmo para apresentar em alguma reunião familiar ou de amigos. Agora sem a desculpa de que "não consigo acompanhar as legendas"… 

E pra quem gosta de making-ofs, tem até a história de como a Nina se envolveu na dublagem do vídeo. 

Sem sombra de dúvidas, um item importante na videoteca de qualquer pessoa que se preocupe minimamente com o nosso planeta e com as relações entre as pessoas. Parabéns à comunidade Permacultura! 

jun 012008
 

Acabei de assistir a um vídeo fantástico, chamado "History of Stuff" (que, traduzido, ficou "A História das Coisas"). É um vídeo simples, extremamente didático e muito lúcido, que mostra a cadeia produtiva desde a extração da matéria-prima até o despejo, no lixo, das "coisas", e explica porque esse processo é incompatível com a manutenção da vida a longo prazo no nosso planeta.

O áudio original é em inglês. A versão que eu vi está no Google Video, legendada em português de Portugal. Mas existe o sítio oficial, onde é possível baixar uma versão para o seu computador, infelizmente sem legenda.

É um documentário curto (20 minutos), mas é fantástico para ser utilizado em sala de aula, pois abre espaço para muita discussão. E também para nos fazer pensar um pouco mais sobre o custo oculto do nosso consumo.

maio 302008
 

O Greenpeace organizou um blog para a semana do meio ambiente. O mote principal do blog é o projeto de lei 6424/2005, que autoriza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas da Amazônia.

O interessante do blog é que é possível enviar vídeos protestando sobre o tema e eles irão colocar no ar. Uma idéia interessante seria trabalhar o tema nas escolas culminando com a produção de vídeos, que seriam enviados para o Greenpeace. É uma forma legal de trabalhar o tema e ainda estimular a atuação dos alunos (e professores) em relação ao problema.

Ah, nessa página também tem um link para o sítio oficial da campanha contra o projeto de lei, que tem um abaixo-assinado vitual muito bem feito, onde é possível indicar pessoas para assinar e saber se elas participaram. Uma boa forma de saber se seus amigos realmente estão fazendo alguma coisa em prol do meio ambiente. Wink

maio 142008
 

O Japão mata mais de mil baleias por ano. Isso porque a carne desse animal, historicamente, tem uma forte presença na indústria alimentícia japonesa. Felizmente o Brasil (mesmo com o seu passado de caça e consumo de baleias) tem hoje uma postura bem firme no sentido de preservar esses animais e sempre vota contra a caça, nas reuniões da Comissão Internacional Baleeira – CIB (International Whaling Commission).

Em 1998, juntamente com outros países dessa comissão, propôs a criação de um Santuário de Baleias do Atlântico Sul. Esse santuário é uma área protegida nesse oceano, onde a caça às baleias é proibida. Já existem dois santuários, um no Oceano Índico e outro no Oceano Antártico. O problema é que eles são temporários e devem ser reavaliados pela CIB. Além disso, o Japão desrespeita a área do Oceano Antártico, caçando baleias lá e alegando que é para "fins científicos". A criação do santuário do Atlântico Sul ajudaria a regulamentar melhor essa situação, pois dificultaria a movimentação dos navios baleeiros por essas águas e tornaria todos os países costeiros dessa região diretamente responsáveis pela defesa das baleias.

Infelizmente é necessário que 3/4 dos países membros votem favoravelmente a essa proposta, para que ela seja aceita. E o Japão, segundo denúncias do Greenpeace, vem jogando pesado pra que isso não se concretize, inclusive com compra de votos desses países.

Assim, o Greenpeace lançou uma campanha pela criação do santuário. Visite a página e assine a carta ao presidente Lula, pedindo uma atuação mais firme em sua atuação junto à CIB. A participação de todos nós é muito importante para tentarmos reverter o quadro atual, tão desfavorável a esses magníficos animais. Abaixo, o vídeo da campanha.

maio 082008
 

Li hoje no blog da Miriam uma notícia sobre uma ferramenta de busca chamada Ecoogler que usa o mecanismo do Google, com um caráter "ecológico". A cada 10.000 buscas, uma árvore será plantada na Floresta Amazônica. Como esse tipo de assunto sempre me chama a atenção, resolvi ver qual é.

Bom, de cara, como biólogo que sou, não posso deixar de fazer algumas perguntas chatas:

  • Onde essas árvores serão plantadas?
  • Quem for plantá-las vai fazer isso com autorização do governo brasileiro (ou vão usar o argumento de que a Amazônia é do mundo)?
  • Quem vai selecionar as espécies a serem plantadas?

Aí, em busca dessas respostas, resolvi entrar no sítio da busca. E conhecer melhor a tal da Aquaverde. A página da busca é bem espartana, não tem quase nada. E a única referência externa é obtida clicando-se nos ícones das folhas e mudas, logo abaixo da caixa de busca. O problema é que, quando se clica nesses ícones, vai-se pra outra página que também não tem nenhuma informação, nem mesmo o nome da ONG responsável. Nada. Somente uma série fotos de (supostos) índios plantando mudas e de algumas crianças. Ou seja, zero de conteúdo, mas alto apelo emocional.

Resolvi então entrar no sítio da ONG. Logo de cara a estranheza. O endereço do sítio é http://www.aquaverde.com. Peraí, mas não é ONG? Então por que .com? Toda ONG séria que eu conheço (e atá algumas nem tão sérias assim) tem endereço .org. Pode parecer bobagem, mas pequenos detalhes desse tipo falam muito sobre as reais intenções dos envolvidos. Vem então, a segunda surpresa. Com um nome desses (e a proposta de proteger a floresta amazônica), achei que fosse uma ONG brasileira. Ledo engano. Sua sede é na Genebra. Hummm… Isso tá ficando cada vez mais curioso…

De cara, no sítio, a primeira informação errada, na forma de um aviso: Portuguese version under construction, quando, na verdade o link para a versão em português está logo acima do aviso. E aí pintou uma dúvida. Se é pra avisar que a versão em português não está pronta, o alerta não deveria estar nesse idioma? Por que interessaria a alguém que fala inglês saber que a versão em português está em fase de construção?

A última atualização do sítio é de 2006, segundo o rodapé. Mas peraí. Eles não estão atuando agora com o Ecoogler? E não atualizam o sítio desde 2006??? Achei que fosse só algum esquecimento de atualização da data, mas nas páginas internas, essa data de atualização se confirma. E as confusões não param por aí.

O sítio está em três versões: inglês, francês e português. E a versão em português possui diferenças em relação ao inglês e francês. Inclusive, navegando por esses dois idiomas, vi que alguns links estão quebrados e levam a uma página de erro. Bom, mas ainda na questão do idioma, a parte em português do sítio possui algumas páginas que não foram traduzidas. Uai, o sítio não é atualizado desde 2006 e ainda tem partes não traduzidas? Isso tá com toda a cara de abandono da estrutura. Inclusive, pra reforçar a tese do abandono, em NENHUM lugar do sítio (e eu procurei bastante) é citado o projeto Ecoogler. Como é que uma ONG não divulga, com destaque, um projeto desses no seu próprio sítio? Das duas uma: ela não leva a sério ou o projeto ou o sítio.

Por fim, a ideologia. A página com a filosofia da ONG é, pra dizer o mínimo, confusa. Eles começam falando que "seu objetivo é promover e apoiar toda iniciativa que vise criar uma nova dimensão entre a sociedade e o meio ambiente, no âmbito do desenvolvimento sustentável". Ou seja, um tanto de frases de efeito absolutamente vazias de conteúdo. O que é "nova dimensão"? Qual o modelo de "desenvolvimento sustentável" que eles defendem? E terminam com "o objetivo maior da Associação é induzir e promover uma nova visão da cooperação para o desenvolvimento e das relações internacionais para a realização de ações baseadas na reciprocidade". Ué, dois objetivos? E o segundo é tão vazio de conteúdo quanto o primeiro. Com um detalhe sutil. Eles afirmam querer "induzir" "uma nova visão de cooperação". Desde quando cooperação pode ser algo induzido? Não deveria ser algo construído coletivamente?

Ainda nessa página, tem um parágrafo que é bem significativo: "A Associação está priorizando a preservação da água na Amazônia, que hoje detém 1/4 das reservas de água potável do planeta". Hummm… Água… E repare que é o único parágrafo bem claro (e com o destaque para "priorizando"). Considerando o nome da ONG e o destaque que a água tem no sítio inteiro, acho que agora está bem explícito a que eles se propõem.

Por fim, os patrocinadores ("diga-me com quem tu andas e eu direi quem és"). Dois. Uma viação aérea (Flybaboo, eu adorei esse nome!) Laughing e uma empresa de perfume (Parfums Balmain). E até aqui tem coisas curiosas. Primeiro, na página da Flybaboo um anúncio de que eles apóiam a ONG desde 1º de abril de 2008 (parece piada pronta, 1º de abril). Smile Mas, curioso, se a página da ONG não é atualizada desde 2006, como é que o patrocínio da Flybaboo, que é de abril de 2008, aparece lá? Estranho… Estranho… Mas o melhor é a Parfums Balmain. Quando se clica no link para o seu sítio, cai-se na página de propaganda de um perfume. Qual o nome dele? Qual? Qual? Eau d’Amazonie de Balmain!!! Ou, pra quem entende o francês (ou usa tradutor on-line como eu) Água da Amazônia de Balmain. Não é genial???

Em resumo, uma ONG da Genebra, que deixa claro em seu sítio (mas assume de forma confusa) que se preocupa com a água da Amazônia, se dispõe (mas não fala como) a plantar árvores (de espécies não identificadas) em áreas (não especificadas) da Amazônia, não cita esse projeto de plantio em nenhum lugar do seu sítio (que, além de ter informações incorretas e confusas, teoricamente não é atualizado desde 2006) e é patrocinada por uma empresa de viação aérea e uma produtora de perfume (que tem um produto chamado "Água da Amazônia de Balmain"). Sinceramente? É muita coisa esquisita pro meu gosto. Ou seja, Ecoogler? Tô fora! Tongue out

O problema é que esse discurso (pseudo) ambientalista convence muita gente. Especialmente porque, realmente, estamos passando por um momento em que os desastres ambientais estão cada vez mais frequentes. Portanto, não é de má-fé que as pessoas adotam o Ecoogler. É uma tentativa, legítima de fazer alguma coisa pra ajudar.

Mas será que todo mundo já pensou que pode colaborar muito mais com o meio ambiente executando pequenas ações locais? Por exemplo, plante uma árvore na rua, em frente à sua casa/prédio. Junte um grupo de pessoas, procure as administrações de parques de jardins da sua cidade e veja se é possível "adotar" alguma praça ou parque. Trabalhe na sua escola para estimular essas idéias (e aproveite pra plantar árvores lá também). A situação na Floresta Amazônica está realmente complicada, gente, mas não é só lá que precisamos de árvores. Se as cidades tivessem mais áreas verdes, muita coisa já seria diferente, inclusive para o nosso convívio diário. Aprendam a usar a máxima do movimento ambientalista: "pensem globalmente, ajam localmente". O planeta agradece… Wink