fev 102010
 

Sempre que a palavra "contágio" é mencionada, imediatamente a associamos a coisas ruins: doenças, morte, invalidez…. Mas e se o sentido dessa palavra fosse subvertido para passar uma mensagem positiva? E se fosse possível contaminar pessoas com um "vírus" capaz de melhorar suas vidas? Essa é a mensagem que a indiana Kiran Bir Sethi nos transmite em sua fala no TED.

É uma apresentação valiosa pois nos mostra como iniciativas simples podem fazer uma grande diferença. E o detalhe mais importante dessa história é que não estamos falando de países como a França, Alemanha, Reino Unido ou Estados Unidos, mas sim da Índia, um país cheio de contrastes (e bem mais próximo da nossa realidade). Com a segunda maior população do planeta, eles são, segundo dados da Wikipédia, o 134º país do mundo na classificação do IDH, 139º em esperança de vida, 143º em mortalidade infantil e 147º em alfabetização. A título de comparação, para o Brasil, esses números são: 75º no IDH, 92º em esperança de vida, 106º em mortalidade infantil e 95º em alfabetização. Além disso, existem 23 idiomas nacionais (os mais importantes são o hindu e o inglês) e mais de 1600 (!!!) dialetos locais. E mesmo com todos essa diversidade e dificuldades, a Kiran conseguiu realizar um trabalho maravilhoso de valorização das crianças em um país reconhecido mundialmente pelos seus problemas com trabalho infantil.

Mas aí vem as perguntas fatais. E no Brasil? Por que não fazemos algo desse tipo? Por que ao invés de esperar um novo projeto do governo não fazemos, nós mesmo esse trabalho de valorização das crianças? Por que ao invés de campanhas anuais de mega-arrecadação de dinheiro não trabalhos propostas simples, mas que durarão para sempre? Como diz a palestrante, foi preciso somente um homem (o Gandhi) para mudar toda uma nação. Será que não podemos mudar nem ao menos a realidade que nos cerca? Ficam os questionamentos (e o incômodo)…

(a dica do vídeo veio dessa publicação, do blog do Fábio Prudente)

dez 212009
 

O título desse artigo é a tradução de um slide que aparece na apresentação abaixo, originalmente obtida sítio do TED. Ativem a legenda em inglês para entender melhor, pois ele fala muito rápido.

Em resumo, o Greenpeace queria um nome que representasse as baleias para uma campanha e, dentre os diversos nomes eruditos que apareceram, surgiu um, em tom de brincadeira: "Mister Splashy Pants". É algo intraduzível para o português, mas basicamente brinca com a onomatopeia "splash" e o sentido de respingo, gerando algo similar a "Senhor Calças Respingadas".

O interessante é que o nome pegou e começaram a surgir diversas campanhas em prol dessa escolhas. O Greenpeace chegou a estender a votação por mais uma semana, pois achou que aquilo era só uma brincadeira. Mas a situação não mudou e o resultado final foi a vitória de "Mister Splashy Pants", com 78% dos votos (o segundo lugar ficou com somente 3%).

Voltando ao título do artigo, a lição principal que fica dessa história é justamente que você não controla aquilo que coloca na Internet. Se você abrir uma enquete, permitir que os usuários façam comentários em suas publicações, pedir por colaborações online, ou abrir espaço para qualquer outro tipo de interação, esteja preparado para qualquer coisa. E saiba que qualquer pessoa tem tanto poder quanto você na Internet. E isso não é ruim! Mesmo que existam os vandalismos, mesmo que possam surgir bobagens, o verdadeiro sentido da informação online é justamente esse: todos estão no mesmo nível e todos podem participar. É isso que apavora a grande mídia e é por isso que eles tentam, a todo custo, deter essa produção de informações.

Sei que vivemos momentos de medo, com blogueiros sendo processados em um ritmo cada vez mais intenso. Mas isso não deve ser utilizado como justificativa para impedirmos a participação das pessoas em nossas publicações. Quando fazemos isso, a Internet fica mais pobre, pois perde um importante componente que é a interação. Tentemos ser maiores que o nosso medo. Os resultados positivos podem não ser imediatos, mas com certeza estaremos contribuindo para a construção de uma Internet mais bacana.

Quando estava fechando esse artigo, recebi a indicação do Sérgio Lima sobre um artigo do blog do Glaydson Lima bem interessante que explica, de maneira bem clara, a questão legal dos comentários em blogs. Vale a leitura.

maio 302009
 

Hoje eu tive a honra de ser convidado pelo Sérgio Amadeu para fazer parte do blog coletivo Trezentos. Abaixo a descrição do blog:

Este é um blog coletivo. Muitos autores, muitos temas e muitas visões.
O que nos une? A idéia de que a vida não se limita as relações de mercado capitalistas. Que profundas transformações estão em curso e sua turbulência já foi percebida. A sociedade é conflito e equilíbrio. Estamos aqui no ciberespaço, um lugar demasiadamente amplo, um não-lugar, o espaço dos fluxos. Uma realidade virtual que permite articular nossas ações presenciais.
Não estamos em uma garganta. Não pretendemos defender nenhum estreito. Não gostamos de gatekeepers e de todos aqueles que querem diminuir ou bloquear a liberdade e a diversidade cultural. Somos trezentos e queremos passar, gostamos de compartilhar nossas idéias, defendemos as redes P2P. Por isso, não somos de Esparta. Somos amigos do Mário. Que Mario? Aquele que…

“Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!”
(MÁRIO DE ANDRADE, EU SOU TREZENTOS)

Já repararam na minha responsabilidade, não é? Para facilitar o acompanhamento das minhas publicações, quando eu publicar algo lá, colocarei uma chamada aqui, com o título do artigo.

Minha primeira publicação já está lá e é sobre o importante ato contra o AI-5 digital que ocorrerará segunda-feira, dia 1º de junho em Belo Horizonte. Espero encontrar vocês lá.