Ideias duvidosas sobre ideais da Internet

Li uma reprodução do artigo Falsos ideais da Internet, de autoria do Jaron Lanier, no blog Conteúdo Livre e achei que tinha que fazer um comentário. O comentário está lá, mas para registro histórico (e minha própria organização) resolvi republicá-lo aqui também.  🙂

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Bom, como já conheço o Jaron Lanier pelo livro que ele escreveu (Gadget – Você Não É um Aplicativo!), sei o quanto ele mistura algumas coisas. 🙂

Pra começar, nesse texto ele polariza a discussão entre “conteúdo protegido por direitos autorais” e “redes sociais proprietárias”. Quero acreditar que é apenas desconhecimento, mas um sujeito que tem um currículo como o dele deveria saber que existe mais coisa na Web do que gravadoras, Google e Facebook.

Existem alternativas de redes realmente livres, como a ~friendica, a Diaspora* e a identi.ca. Redes essas que respeitam a sua privacidade e não comercializam seus dados nem invadem a sua privacidade. Além disso, como elas são construídas com software livre, podem ser instaladas por qualquer um. Ou seja, as pessoas podem gerenciar suas próprias redes (eu mesmo mantenho a teia social aqui). Com isso, usando um exemplo do próprio autor, ele poderia criar uma rede social somente para discutir música, sem nenhum tipo de apropriação por parte de terceiros.

O tom do Jaron é curioso, pois ao mesmo tempo em que ele se autoproclama um defensor da liberdade de expressão, ele indica acreditar que o conteúdo da Internet deva ter algum tipo de controle. E a frase “Essa crença na informação “livre” bloqueia os futuros caminhos para a internet” (com a explicação seguinte de ganhos dos usuários) indica bem essa visão. Como é que alguém que defende a liberdade de expressão pode acreditar que informação livre bloqueie alguma coisa? É uma visão errada? Não necessariamente. Mas é bem contraditória, ao meu ver. E não é aquilo que eu acredito. 🙂

Mas convenhamos. O sujeito trabalha no centro de pesquisa da Microsoft. Obviamente a visão dele é “monetarista”, ou seja, a Internet é um lugar bom desde que ganhemos dinheiro com ela. Além do mais ele está nesse sentimento todo porque a empresa onde ele trabalha foi uma das que apoiou abertamente a SOPA e foi duramente criticada. Ora, quem acredita em “liberdade de expressão” deveria estar preparado para receber críticas. Afinal, quem diz o que quer, deve estar preparado para ouvir o que não quer. 🙂

Juntando várias tecnologias para controlar remotamente um robô

O @filipesaraiva apresentou essa página lá no identi.ca e eu endoidei. O sujeito juntou um monte de tecnologia (uma esteira de exercícios, um visor acoplável à cabeça, controle do Wii e um Kinect) e controlou remotamente um #robô #NAO (eu quero!) para escovar um gato.

Nem preciso dizer (mas vou dizer mesmo assim) que:

1- isso abre um mundo de possibilidades

2- isso só foi possível porque o NAO possui uma SDK aberta (pra quem ainda acha que padrões abertos de software e hardware são uma bobagem)

3- um bom vídeo fica ainda melhor quando tem um gatinho.  🙂

Acho que já vou começar juntar dinheiro pra montar o meu BattleTech.  🙂

Pra quem tá com preguiça de ver a página, tá aí o vídeo:


Robot Avatar Brushes Cat Remotely in Virtual Reality [Kinect, Wii, HMD, Treadmill, NAO] by taylorveltrop on YouTube

SOPA, MPAA e chantagem contra o presidente dos EUA

Quando uma associação como a MPAA, na figura do seu CEO, Chris Dodd, faz ameaças públicas ao presidente de um país (inclusive deixando subtendido a existência de suborno), algo está muito errado:

MPAA amenaza a Obama sobre SOPA: «no me pida un cheque si no presta atención a mis preocupaciones»

Inclusive tem uma frase significativa nas afirmações de Dodd:

Le pongo un ejemplo de Avatar, una película que fue robada por los piratas online 21 millones de veces.

Em primeiro lugar, como se pode roubar um produto 21 milhões de vezes? Quando se rouba alguma coisa, ela deixa de pertencer ao seu dono. Ou seja, você só pode roubar qualquer coisa uma vez. Se algo foi “roubado” 21 milhões de vezes, esse é um bom exemplo de que o conceito de “roubo” não se aplica à mídia. E em segundo lugar, como se pode ver nessa reportagem, Avatar foi o filme mais rentável da história, faturando mais de 2 bilhões (isso mesmo bilhões) de dólares. Então pra que esse mimimi todo de que o filme foi copiado? Eles realmente acreditam que essas 21 milhões de cópias “pirateadas” renderiam algum dinheiro a mais caso as pessoas não tivessem acesso a elas? Vai ser ganancioso assim lá na casa da Tia Geralda!

Felizmente um grupo de pessoas percebeu que havia algo muito errado na fala do Dodd e começou um movimento exigindo explicações do que exatamente está acontecendo, ao governo dos Estados Unidos:

Ciudadanos exigen de forma oficial una investigación a la MPAA por soborno a los políticos

Como diz o artigo, uma petição foi criada no dia 21 de janeiro e deveria conseguir 25.000 assinaturas até o dia 20 de fevereiro para receber uma resposta oficial do governo. Hoja, dia 24 de janeiro, às 10:27h (GMT -3) ela já conta com 26.406. Quero ver qual será o posicionamento da Casa Branca.

É curioso como essa discussão sobre SOPA/PIPA está escancarando os reais interesses por trás dessa proposta de legislação. Bem como as engrenagens que conectam a indústria de entretenimento e o governo estadunidense. A SOPA já está “entornando o caldo”…  🙂

Atualização em 31/01/2012

Resposta (frustrante) da Casa Branca à petição:

Why We Can’t Comment

Thank you for signing this petition. We appreciate your participation in the We the People platform on Whitehouse.gov. However, consistent with the We the People Terms of Participation and our responses to similar petitions in the past, the White House declines to comment on this petition because it requests a specific law enforcement action.

Ou, em tradução livre:

Porque não podemos comentar

Obrigado por assinar essa petição. Nós apreciamos sua participação na plataforma Nós, o Povo no Whitehouse.gov. Entretanto, de acordo com os Termos de Participação do Nós, o Povo e com nossas respostas a petições similares no passado, a Casa Branca se recusa a comentar esta petição porque ela demanda uma ação de execução específica da lei.

Fica então a dúvida: quem vai cumprir a ação legal?

Um apanhado geral sobre os protestos em Teresina (e uma notinha sobre a imprensa)

A situação está complicada em Teresina nesse início de ano. A notícia amplamente divulgada é que os estudantes estão protestando contra o aumento das tarifas de ônibus. Mas a coisa é maior do que isso e envolve uma picaretagem na integração de ônibus e a administração da bilhetagem eletrônica por uma administradora de cartões de crédito em que um dos sócios é um senador do PTB, mesmo partido que o prefeito. Aqui você encontra uma explicação bem detalhada do processo todo. No mesmo blog tem também essa publicação falando sobre a “massacrifestação” do dia 10.

Pra quem quiser notícias diretamente do front, tem esse blog, produzido pelo movimento. Eles também está alimentando uma página no Facebook. E quem quiser acompanhar pelo Twitter, tem duas hashtags: #contraoaumento (que é a “oficial”) e #massacreteresina. Infelizmente, no identi.ca o movimento está bem devagar, reduzindo-se (até o momento) a publicações de Aracele Torres, asm e Fa Conti. Tudo o que foi publicado está aqui e aqui.

Agora o mais interessante é quando você começa a comparar as notícias “oficiais”. Pegando somente os portais das “três grandes” (Globo, Record e SBT, não achei nenhum vídeo no portal da Band, somente essa nota), compare os vídeos das reportagens entre si e com o citado acima. Vejam o tom de cada um deles e olhem como o da Globo é dissonante, considerando o teor e o tempo das falas da reportagem e dos envolvidos (os envolvidos no movimento tiveram somente 5 segundos de fala em uma reportagem de 2:49 minutos) e as imagens apresentadas (a parte dos policiais arrastando os manifestantes foi totalmente excluída, mas sobram imagens de depredação em várias manifestações). A Record peca pela falta, uma reportagem mínima de 21 segundos, mas incluiu as cenas dos policiais arrastando os manifestantes. Já o SBT apresentou o vídeo mais completo, apresentando todo o enfrentamento, inclusive o que aconteceu antes da chegada da tropa de choque. O tom é mais de “noticiário de guerra”, com a matéria sendo apresentada toda pelo repórter que estava no local. Não vou me aprofundar na análise das matérias, até mesmo por falta de competência para fazê-lo, mas reparem que nenhuma delas cita a questão da bilhetagem eletrônica e do desconto da segunda tarifa, nem justificam o motivo da fiança para soltura dos manifestantes ser tão alta. Como última comparação, temos também essa reportagem da emissora RTP de Portugal. Interessante destacar que é a única que usa a expressão “manifestação pacífica dos estudantes”.

De tudo isso a resta a mensagem que existem sim manifestações aqui no Brasil que vão além do “clique aqui para participar” (e isso é animador). Pra aqueles que (como eu) estão longe do estado, o mínimo que podemos fazer é divulgar ao máximo o que está acontecendo lá. E torcer para que o movimento se mantenha forte e coeso.

Sete tipos raros de arco-íris

Um pouquim da net
7 tipos raros de arco-íris
7 tipos raros de arco-íris: aitiachica:

7 Rare Rainbow FormationsImage/photo
Circular rainbows: Most of the rainbows we see are actually arcs of perfect circles (with, accordingly, radii of exactly 42 degrees).
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Secondary rainbows: Primary rainbows are often accompanied by secondary rainbows that are usually thinner and dimmer than the main rainbow. They display the spectrum in reverse order from that of a primary rainbow.
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Red rainbows: Red rainbows are usually seen at sunrise or sunset when the thickness of the earth’s atmosphere filters out blue light leaving more red or orange light for water droplets to reflect and refract.
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Sundog: Sundogs are not rainbows per se, but share many of their visible attributes. Sundogs are created when sunlight shines through ice crystals high in the atmosphere.
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Fogbow: Fogbows are much rarer than rainbows because certain narrow parameters must align to create them. For one, the light source must be behind the observer and low to the ground. Also, any fog to the rear of the observer must be very thin so that sunlight can shine through to the thicker fog in front.
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Fire rainbows: Fire rainbows are not true rainbows. The phenomenon (called a “circumhorizontal arc”) can only be viewed under certain precise conditions: the cirrus clouds that act as prisms must be at least 20,000 feet high and the sun must strike them when it is at an elevation of 58 to 68 degrees.
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Moonbow: Moonbows are much more difficult to witness due to the requirement of a passing rainstorm and, ideally, a bright full moon unblocked by clouds.
Fire Rainbows are the most metal of all atmospheric prismatic phenomena.