E lá se vai 2009, ao som da Sinfonia da Ciência…

Uma ideia aparentemente sem sentido. Pegar trechos de falas de grandes cientistas e tranformar em música. Mas o resultado obtido pelo projeto The Symphony of Science ficou tão bonito que resolvi utilizar um de seus vídeos como minha mensagem de fim de ano aqui da teia. O projeto é uma ótima iniciativa pra mostrar como a ciência pode ser bela, poética e emocionante.

O vídeo escolhido foi "We are all connected", que apresenta falas do Carl Sagan, Richard Feynman, Neil deGrasse Tyson e Bill Nye. Vamos ao vídeo.

Escolhi esse vídeo porque tem muito a ver com o que eu desejo para o ano de 2010. Acredito que quando nos dermos conta de que estamos todos conectados, independente de raça, credo ou reino biológico, aprenderemos a respeitar todas as formas de vida. Se almejamos algum futuro nessa esfera azul, essa é a nossa única saída.

Como disse o Carl Sagan no vídeo, o cosmos também está em nós, pois somos todos feitos da mesma matéria das estrelas. Saibamos usar bem essa nossa herança…

Um feliz 2010 a todos, com muita luz, harmonia, paz, solidariedade, amor e liberdade. 🙂

Você não controla mais a informação. E isso é bom!

O título desse artigo é a tradução de um slide que aparece na apresentação abaixo, originalmente obtida sítio do TED. Ativem a legenda em inglês para entender melhor, pois ele fala muito rápido.

Em resumo, o Greenpeace queria um nome que representasse as baleias para uma campanha e, dentre os diversos nomes eruditos que apareceram, surgiu um, em tom de brincadeira: "Mister Splashy Pants". É algo intraduzível para o português, mas basicamente brinca com a onomatopeia "splash" e o sentido de respingo, gerando algo similar a "Senhor Calças Respingadas".

O interessante é que o nome pegou e começaram a surgir diversas campanhas em prol dessa escolhas. O Greenpeace chegou a estender a votação por mais uma semana, pois achou que aquilo era só uma brincadeira. Mas a situação não mudou e o resultado final foi a vitória de "Mister Splashy Pants", com 78% dos votos (o segundo lugar ficou com somente 3%).

Voltando ao título do artigo, a lição principal que fica dessa história é justamente que você não controla aquilo que coloca na Internet. Se você abrir uma enquete, permitir que os usuários façam comentários em suas publicações, pedir por colaborações online, ou abrir espaço para qualquer outro tipo de interação, esteja preparado para qualquer coisa. E saiba que qualquer pessoa tem tanto poder quanto você na Internet. E isso não é ruim! Mesmo que existam os vandalismos, mesmo que possam surgir bobagens, o verdadeiro sentido da informação online é justamente esse: todos estão no mesmo nível e todos podem participar. É isso que apavora a grande mídia e é por isso que eles tentam, a todo custo, deter essa produção de informações.

Sei que vivemos momentos de medo, com blogueiros sendo processados em um ritmo cada vez mais intenso. Mas isso não deve ser utilizado como justificativa para impedirmos a participação das pessoas em nossas publicações. Quando fazemos isso, a Internet fica mais pobre, pois perde um importante componente que é a interação. Tentemos ser maiores que o nosso medo. Os resultados positivos podem não ser imediatos, mas com certeza estaremos contribuindo para a construção de uma Internet mais bacana.

Quando estava fechando esse artigo, recebi a indicação do Sérgio Lima sobre um artigo do blog do Glaydson Lima bem interessante que explica, de maneira bem clara, a questão legal dos comentários em blogs. Vale a leitura.

Nova legislação genérica do Senado, dessa vez contra jogos eletrônicos

Diga não ao seu videogame - imagem extraída de: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:P_videogame_controller.svgCom tanta coisa acontecendo na casa, a Comissão de Educação do Senado teve tempo de aprovar um projeto de lei (170/06), de autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que criminaliza a fabricação, importação e distribuição (ou seja, tudo) de jogos que sejam considerados ofensivos "aos costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos". Ou seja, (mais) uma decisão absolutamente inócua de um Senado que insiste em legislar sobre itens que não conhece muito bem.

Inócua porque, primeiro, já tentaram fazer isso antes: Doom, BloodMortal Kombat, Duke Nuken, Requiem, Postal, Counter Strike e Everquest (entre outros) já foram proibidos. Aí as lojas esperam um pouquinho e relançam os mesmos produtos (ou uma versão atualizada deles) sem problema nenhum. Citando dois exemplos, com o lançamento do Doom 3 eles relançaram o Doom original (e suas continuações) e o Counter Strike pode ser encontrado em qualquer prateleira de jogos.

Em segundo lugar, já existe uma classificação da faixa etária indicada para cada jogo, feita pela Secretaria Nacional de Justiça desde 2001. Assim, se o jogo for inadequado ou ferir algum "costume, credo, religião, símbolo" ou sei lá mais o que, é muito simples: não compre o jogo. Além de simples, é muito mais econômico. 🙂

E na rede, não vai nada? (imagem extraída de: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:P2P-network.svg)Terceiro, mais uma vez o Senado demonstra desconhecer algumas coisas bem simples como mídias de armazenamento (pendrive, DVD, etc.) e uma tal de Internet. Proibiu a venda? No dia seguinte alguém disponibiliza o jogo em uma (ou várias) das fontes citadas acima. Aliás, já se conseguem jogos dessa forma sem nem mesmo proibir. 🙂 Ou seja, quem vai realmente se lascar com essa decisão são os revendedores.

Por fim (e esse talvez seja o entrave mais sério), quais serão os critérios para considerar o jogo "ofensivo" e quais culturas serão consideradas em "povos"? Será que eles vão considerar todos os povos (todos mesmo)? Ou estão achando que "povo" é somente o famoso padrão: homem, cristão, branco e ocidental? Porque se forem considerar todo mundo (conforme está escrito na lei), vai sobrar muito pouco jogo nas prateleiras.Estará a pobre patinadora infringindo a nova lei, caso seja aprovada? Pra citar somente um exemplo, o inocente Deca Sports, um jogo de atividades esportivas para o Wii, apresenta mulheres em roupas incondizentes com os preceitos de vestuário do Islã. Isso porque elas usam maiôs e colantes ou seja, roupas que "delineiam as partes do corpo". Dessa forma, esse jogo teria que ser proibido, pois "agride a tradição islâmica". E islamitas são povo como qualquer outro (apesar de algumas outras religiões discordarem disso). Tá vendo o problema de se fazer leis genéricas, senhores senadores? Não aprenderam com o projeto do Azeredo?

Agora, o meu maior incômodo nesse projeto é o fato dele me cheirar a motivação religiosa. Isso porque ele usa quatro termos relacionados ao tema: "cultos, credos, religiões e símbolos". Pra que toda essa ênfase? Isso me preocupa porque vivemos, em teoria, em um estado laico. Com isso, decisões públicas não deveriam ser baseadas em crenças religiosas de qualquer tipo, justamente para evitar discriminações e injustiças contra qualquer credo. Ou seja, por mais contraditório que possa parecer, um estado realmente laico garante maior liberdade religiosa do que um não laico. Um bom (na verdade, mau) exemplo de interferência religiosa em decisões políticas foi visto recentemente com a discussão em torno o projeto de lei de criminalização do preconceito contra homossexuais. Curiosamente, o argumento, em ambos os casos (dos homossexuais e dos jogos), são as "agressões ao credo" das pessoas. Estamos diante de um padrão emergente? Facções religiosas começararão a direcionar nossas leis? Sempre fiquei muito incomodado com o aumento exponencial de deputados e senadores ligados diretamente a cultos religiosos. Infelizmente meu medo parece está se justificando.  🙁