Mudando a “identidade” do seu Firefox

O (suposto) navegador web Internet Explorer reconhece uma série de sintaxes HTML fora do padrão internacional definido pelo W3C. E não reconhece (ou passou a reconhecer tardiamente) alguns elementos que já são padrão, como, por exemplo, o fundo transparente de imagens PNG (se você é um infeliz usuário do IE até a versão 6, vai ver um fundo branco no logo da teia, lá em cima, ao invés da transparência).

Essas incompatibilidades são o inferno dos desenvolvedores web, que acabam tendo que criar truques para adequar suas páginas a vários navegadores. Infelizmente alguns (também supostos) desenvolvedores nem se dão a esse trabalho. Simplesmente criam uma página que, teoricamente, só funciona no Internet Explorer e colocam um aviso de exclusividade de navegador (os famosos "Essa página é melhor visualizada no Internet Explorer"). Alguns outros fazem ainda pior e embutem códigos de JavaScript que simplesmente impedem o seu acesso à página caso você não utilize o (pretenso) navegador. Com isso, muita gente que não estão usando o dito cujo acham que a culpa é do navegador, numa falsa ilusão de que o produto da Microsoft é melhor porque abre qualquer página.

O Firefox pode se identificar como outros navegadoresMas como é que os desenvolvedores sabem qual navegador está acessando seu sítio? Simples. Toda vez que o navegador faz a requisição da página para o servidor onde ela está hospedada, ele envia uma série de informações chamadas User Agent strings, que, normalmente, possuem os seguintes dados: nome e versão do navegador, sistema operacional do usuário e o idioma preferencial. É graças a essas informações que, por exemplo, serviços de estatísticas conseguem dizer quais navegadores chegaram ao seu sítio.

Entretanto você pode alterar essas informações enviadas pelo seu navegador. Pra quem usa o Firefox, é possível fazer isso manualmente alterando as configurações do navegador através do recurso about:config. Ou usar um complemento que simplifica bem o seu trabalho: o User Agent Switcher. Após instalá-lo, sempre que quiser mudar a "identidade" do seu navegador, basta ir até o menu "Ferramentas", escolher a opção "User Agent Switcher" e selecionar a desejada. Inclusive o complemento tem uma opção para acrescentar novas informações de User Agent. Isso, associado às informações disponínveis no excelente sítio User Agent String.Com, lhe dão recursos para assumir a identidade de qualquer navegador, em qualquer sistema operacional e em qualquer idioma.

Experimente esse complemento e supreenda-se ao descobrir que muitas páginas "melhor visualizadas no Internet Explorer", funcionam perfeitamente bem no Firefox.

Como começar uma festa (e porque isso pode ajudar no desenvolvimento de softwares livres)

Antes de continuar lendo essa publicação, assista ao vídeo abaixo (descoberto graças a essa mensagem no Twitter do Karlisson):

Esse é um bom exemplo de como um único indivíduo consegue disparar um processo de movimentação popular. Repare que as primeiras pessoas que aparecem, estão lá só como zombaria. Mas o processo de agregação vai se acelerando. Até o momento em que se atinge um limiar onde o crescimento passa a ser exponencial. E o rapaz cria uma "festa dentro da festa"… e literalmente some no meio do movimento que ele mesmo iniciou.

Cabe destacar que o ponto chave da movimentação é justamente o limiar, citado acima. O momento em que as pessoas param de se comportar como indivíduos e começam a agir como grupo. Freud (citando Le Bon) trata muito bem dessa questão do grupo em seu texto "A descrição de Le Bon da mente grupal" (encontrado no volume XVIII da "Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud"). O Le Bon afirma que:

"o grupo psicológico é um ser provisório, formado por elementos heterogêneos que por um momento se combinam, exatamente como as células que constituem um corpo vivo formam, por sua reunião, um novo ser que apresenta características muito diferentes daquelas possuídas por cada uma das células isoladamente".

Essa característica "orgânica" do grupo é particularmente interessante, pois permite que a emersão, no grupo, de propriedades que não pertençam a nenhum dos indivíduos em particular. E isso tem muito a ver com a forma como o movimento de  software livre funciona. O seu desenvolvimento também só é possível graças à união de pessoas com características e habilidades diferentes, cuja sinergia produz resultados que talvez nenhum dos membros individualmente esperassem. Reparem também no vídeo, que quanto maior o grupo, mais pessoas são atraídas para ele. Projetos de softwares livres também são assim. Não é à toa que os "projetões" conseguem arregimentar mais colaboradores do que os projetos menores.

A grande questão é qual a quantidade de pessoas necessárias para disparar o processo exponencial de crescimento do grupo. Isso porque esse número varia e depende de vários fatores, entre eles, a distância entre essas pessoas e o grau de afinidade entre elas. Entender esse processo pode ajudar, entre outras coisas, a melhorar o envolvimento de pessoas em projetos de softwares livres. E é uma discussão interessante, onde cabem muitos "palpites"…

Pois é. Esse assunto começou a martelar (de novo) na minha cabeça. Acho que está na hora de eu voltar a ler meus livros de teoria de caos e sistemas dinâmicos que estão paradinhos na estante. 

Legenda do vídeo “stop the big brother state”

Nome: Vídeo stop the big brother state
Descrição: Animação sobre as atuais políticas de segurança implementadas por alguns governos e seus riscos para a privacidade
Sítio oficial: http://www.bigbrotherstate.com/
Download: http://www.huesforalice.com/bbs/index.php?page=download
Traduzido? Sim
Arquivo de tradução: Em anexo

Uma animação muito interessante, bastante didática e extremamente oportuna nesses tempos de intensificação da vigilância global foi produzida pelo David Scharf. O nome é "stop the big brother state" e ela está disponível para visualização on-line ou download em vários formatos.

Aproveitei para fazer a tradução das legendas para o português do Brasil. O arquivo está disponível no anexo dessa página. Para a maioria dos tocadores de mídia, basta renomear o arquivo de legendas para o mesmo nome do arquivo de vídeo (preservando a terminação .srt) e elas serão automaticamente visualizadas. O autor também disponibilizou legendas para outros idiomas (CZ, EN, ES, FR, GER, IT, UA, HUN, PL, SW e SRB).

Encontro sobre software livre educacional no FISL

Conforme vocês já devem ter visto na lateral da teia, do dia 24 a 27 de junho acontecerá na PUC, em Porto Alegre, a 10º Edição do Fórum Internacional do Software Livre (FISL),  um evento internacional que reúne entusiastas, hackers, empresas e governos, com objetivo de difundir e ampliar as iniciativas de Software Livre no país e no mundo. Além disso, é o responsável pela maior migração anual de nerds do Brasil…

Nesta edição, além do eixo tradicional de palestras, ocorrerão também mini-eventos temáticos em diversos auditórios da PUC. Estes mini-eventos terão como foco difundir o software livre em áreas específicas. Um desses mini-eventos será sobre educação e software livre e sua organização está a cargo do grupo Software Livre Educacional (SLEducacional), do qual eu sou um dos coordenadores. O nome desse encontro é: Software Livre e Educação – Usos, Desusos e Intrusos. Ele acontecerá sexta-feira, dia 26, das 13h as 17h no Instituto de Educação. Além de mim, a mesa do evento terá também a participação do Peterson Danda, da Marinez Siveris e da Carla Bertioli. Aliás, o termo "mesa" empregado aqui é puramente formal. A ideia é que o evento seja bem participativo, com a interação de todos os presentes e não somente uma exposição dos "membros da mesa".

O cronograma do mini-evento será o seguinte:

  • Apresentação geral sobre software livre na educação (30min): explanação geral sobre a relação entre software livre e educação, com uma explicação breve sobre os princípios do software livre.
  • Ferramentas livres para a educação (1h): demonstração de alguns softwares livres que podem ser utilizadas de maneira direta em ambientes educacionais.
  • Apresentação de casos de sucesso (30min): casos de uso de softwares livres em ambientes educacionais.
  • Apresentação do projeto SLEducacional e debate sobre o uso educacional de softwares livres (2h): apresentação do grupo, seus objetivos e formas de colaboração e debate aberto sobre a situação atual do uso educacional de softwares livres e o que pode ser feito para tornar esse trabalho mais consistente.

Além do mini-evento, o SLEducacional também estará presente no espaço destinado aos grupos de usuários, em uma das várias "ilhas" espalhadas pelo saguão do evento, juntamente com o Projeto Texto Livre e o Pandorga Linux.

Interessados em apresentar algum caso de sucesso sobre software livre na educação ou em obter maiores informações sobre o evento, podem entrar em contato comigo através do formulário de contato. Contamos com a participação de todos os interessados no tema!