Eu sou um dos Trezentos

Hoje eu tive a honra de ser convidado pelo Sérgio Amadeu para fazer parte do blog coletivo Trezentos. Abaixo a descrição do blog:

Este é um blog coletivo. Muitos autores, muitos temas e muitas visões.
O que nos une? A idéia de que a vida não se limita as relações de mercado capitalistas. Que profundas transformações estão em curso e sua turbulência já foi percebida. A sociedade é conflito e equilíbrio. Estamos aqui no ciberespaço, um lugar demasiadamente amplo, um não-lugar, o espaço dos fluxos. Uma realidade virtual que permite articular nossas ações presenciais.
Não estamos em uma garganta. Não pretendemos defender nenhum estreito. Não gostamos de gatekeepers e de todos aqueles que querem diminuir ou bloquear a liberdade e a diversidade cultural. Somos trezentos e queremos passar, gostamos de compartilhar nossas idéias, defendemos as redes P2P. Por isso, não somos de Esparta. Somos amigos do Mário. Que Mario? Aquele que…

“Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh Pireneus! Ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!”
(MÁRIO DE ANDRADE, EU SOU TREZENTOS)

Já repararam na minha responsabilidade, não é? Para facilitar o acompanhamento das minhas publicações, quando eu publicar algo lá, colocarei uma chamada aqui, com o título do artigo.

Minha primeira publicação já está lá e é sobre o importante ato contra o AI-5 digital que ocorrerará segunda-feira, dia 1º de junho em Belo Horizonte. Espero encontrar vocês lá.

Como a Teoria da Relatividade deixa de ser ciência e torna-se ideologia

Thadeu Pena, publicou em seu blog o artigo Teoria da Relatividade é ideologia, e não ciência, defende pesquisador, que é uma resposta a outro, de mesmo título, publicado no sítio Inovação Tecnológica. O artigo original é um festival de bobagens, muito bem discutidas pelo Thadeu (por isso nem vou ficar reproduzindo aqui, leiam o que ele escreveu), mas levanta duas questões: os problemas de jornalistas escreverem sobre ciências e a fonte única de informações.

O primeiro problema já é antigo conhecido de quem é da área de ciências. O jornalista (que normalmente não tem formação em ciências biológicas ou exatas) pega um tema polêmico, faz meia dúzia de pesquisas e publica um artigo, geralmente com título bombástico, como "Pesquisadores clonam primeiro ser humano", ou "Einstein errou!", ou ainda "Teoria da evolução é questionada no meio científico". É o suficiente para vender o jonal/revista que ele escreve ou aumentar a visitação ao sítio que mantém. E ajuda a piorar (ainda mais!) a divulgação científica no nosso país. No caso do artigo citado pelo Thadeu, foi um pouco pior. A redação do sítio Inovação Tecnológica pegou o artigo de uma publicação portuguesa chamada Ciência Hoje (nada a ver com a Ciência Hoje brasileira) e reproduziu-o, não se deu ao trabalho nem de ler os comentários, praticamente todos contrários ao artigo. Só isso já seria motivo para pensar duas vezes antes de divulgá-lo. A não ser, claro, que se encaixe na minha descrição anterior, onde o objetivo é usar um tema polêmico pra aumentar a visibilidade da matéria. Atenção! Não quero com isso afirmar que todo jornalista é irresponsável. Existem alguns excelentes, muito sérios com o trabalho que realizam. Mas os que não são sérios conseguem fazer um estrago sem tamanho (e não só na área científica, como a gente bem sabe)…

O outro detalhe que esse caso levanta é a questão da confiabilidade da rede. Muitas pessoas criticam a Wikipédia, afirmando que uma enciclopédia onde todo mundo põe a mão não pode ser confiável. Mas nesse caso, quem suspeitaria que um sítio como o Inovação Tecnológica? Quantas pessoas não o usuariam para fazer uma pesquisa e sairiam afirmando que a Teoria da Relatividade não é científica? E o pior é que o sítio não aceita nem mesmo o envio de comentários. Ou seja, não é possível nenhum tipo de interação. Algo meio surreal na Internet de hoje. Então, mais uma vez, lembrem-se do mantra da boa pesquisa: não confie em uma única fonte de informações! Repita isso várias vezes ao dia. E ensine outros a fazê-lo. Vai fazer bem pra todo mundo. E pensem várias vezes antes de divulgar algum sítio/assunto/pessoa. A divulgação de bobagens é muito mais nociva do que a não divulgação de coisas sérias.

Mais um feliz usuário do GNU/Linux

Sempre que posso, faço um trabalho de divulgação do software livre em geral e do GNU/Linux em particular, ressaltando suas qualidades e tentando desmistificar essa ideia de que é um sistema difícil. E de vez em quando consigo alguns resultados interessantes. O último deles foi com um antigo colega da lista de discussão Internews, o Mordred. Ele mandou uma mensagem tão animada para a lista, relatando sua migração para o pinguim, que eu pedi a ele para fazer um relato pra eu publicar aqui. Conforme prometido, aí está a mensagem dele. Fiz questão de deixá-la na íntegra, sem correções, para preservar o estilo e a emoção dele ao escrever o texto. Meus comentários ao final do texto.

Pois então chegou o dia em que me desfiz do preconceito e cansado de telas azuis da morte, inúmeras reinstalações, procura sem fim por drivers, incompatibilidade de dispositivos, chegou à minhas mãos e olhei com ar de ironia mais um artigo falando maravilhas da nova versão de um tal de Ubuntu e resolvi baixar. Afinal, pensei eu, essa coisa não pode ser tão complexa e por tudo que esta se falando, trabalhando desde 1987 com informática e oriundo de “find . –print |cpio –ovb >/dev/fita” eu não poderia me sair de forma tão vergonhosa.

Deixei o bicho baixando nem sei de onde e depois de alguns dias (já esquecido) encontrei perdido numa pasta um ISO de pouco mais de 700Mb do tal Ubuntu. Como mais uma vez a máquina de meu filho apresentava problemas, pensei…. Porque não? Sem nada de backup para fazer, nem outro aplicativos à instalar, pelo menos para ver a cara do dito cujo, eu precisava tentar.

Primeiro impacto negativo: logo após criar o cd no Nero na máquina Windows de minha esposa, ao executar o CD, um menu assustador em inglês sugeria que, como um outro SO estava instalado, eu poderia optar pela versão Live ( que para os leigos como eu, é um SO que funciona diretamente no CD, sem mexer em NADA de sua máquina!!!! – ainda não usei). Desapontado por estar com uma versão em inglês, e imaginando que as coisas seriam mais complexas do que eu gostaria com meu inglês de aeroporto de 3º mundo, mesmo assim parti para máquina de meu filho, alterei para boot pelo CD, cruzei os dedos e deixei correr… E aí….

Bom, logo de cara, me surpreendi com uma tela interativa que dava a opção de instalação em (sem exageros) pelo menos uns 20 idiomas. Surpresa mais uma vez, dado que a gente sabe como funciona no concorrente: Um CD para cada idioma e olhe lá! E aí…..eu sinceramente gostaria de falar mais da instalação, contudo…diferentemente do que ocorre com o “outro” você não faz NADA. Seleciona o horário de onde está, o idioma (como já mencionei) e define partição(ões) (se desejar e se quiser conservar o 2º SO) e um nome e senha de usuário. Depois de +/- 30 minutos ( aí vai de sua máquina e sua leitora de CD/DVD ) ponto final. Você está com sua máquina 100% configurada. E quando digo 100% é isso mesmo: internet ok (com o fantástico Firefox, que eu já vinha usando, depois de desistir dos travamentos e enorme peso do IE8), um editor de texto e uma planilha eletrônica (tão completos como os “do mercado”), alguns gráficos para começar, além de uma infinidade de joguinhos (para alegria de meu filho) e pode começar a usar.

Em resumo, perdi anos assustado com o Linux, talvez por minha origem Unix/Xênix, onde a tela preta reinava e comandos como que já citei, parecem uma verdade sopa de letras e fazem a maravilha dos empolados profissionais de TI, olhados pelos leigos como deuses (quando na verdade decoraram apena suma dúzia de comandos chave).

A interface deste que usei (Ubuntu 9.0.4) é amistosa, você tem alguma dificuldade no início, já que tudo mudou de lugar, mas.. com alguma boa vontade (e nem precisa ser muita) você reconfigura tudo, cria atalhos, reparticiona aos instalação, atualiza o SO de forma automática, customiza funcionalidades e se você, assim como eu, pretende, mais que pregar a honestidade com seu filho, mostrar que é possível sim, usar computador e internet sem precisar recorrer à pirataria, existe vida (boa e dentro da lei) além do Windows. E o melhor, de graça, com atualizações constantes e outros aplicativos tão bons quanto a “tendência de mercado”.

À você Fred, responsável por isso e me mostrando esse caminho à anos, obrigado e desculpe pela demora; à comunidade do pinguim, tô chegando com a faca nos dentes! E aqueles que ainda patinam no Windows, quem sabe até pelos mesmos motivos que eu, podem relaxar. Tudo que você precisa para passar do Windows é o que você obrigatoriamente precisa ter independentemente do SO que use: um backup!

Bom, não sobra muito o que dizer depois disso, né? Na verdade quem agradece sou eu, Mordred, pela sua iniciativa em tentar fazer diferente, em fugir da (como você mesmo diz) "tendência de mercado" e dar uma chance ao GNU/Linux. Com certeza você ainda tem muita diversão pela frente. Boa sorte em sua jornada!

São mensagens assim que reforçam a minha crença de que vale a pena lutar pela adoção do software livre. Pensem bem, quantas pessoas serão convencidas pelo Mordred a, pelo menos, tentar usar o GNU/Linux? E, dessas, quantas o adotarão definitivamente? A dominação mundial está apenas começando… 

Quer hospedar um sítio? Fuja da SunHost…

Em outubro de 2007 eu migrei a teia para a DreamHost, hospedagem que eu uso até hoje. Não que tenha alguma coisa contra hospedagens nacionais. Mas a relação custo/benefício deles é excelente, pro nível de serviço que eu quero. Existem várias hospedagens boas aqui no Brasil. Entretanto existem algumas complicadas. E é justamente de uma dessas que eu vou falar aqui.

A Ângela Glavam, uma velha conhecida de listas de discussão, mantenedora dos sítios Bibi-Piaf e Toque de Arte, enfrentou uma série de problemas com a SunHost (o sítio dela que estava hospedado na SunHost é o Toque de Arte). Fiquei tão assombrado com o nível do atendimento deles que pedi a ela que descrevesse os fatos para colocar aqui na teia. Abaixo está o relato que ela me enviou.

Contratei os serviços de hospedagem de site da empresa SUNHOST INFORMATICA (SUNHOST INFORMATICA LTDA – ME/Rua FERNANDO GRUBER Nº 155 Sl. 01 – Bairro 25 DE JULHO -São Bento do Sul – SC – CEP: 89.290-000 – CNPJ 08.689.306/0001-09) há algum tempo.
Em 7 de março do corrente ano (2009) paguei adiantada a anuidade da hospedagem. Na semana passada o site apresentou problemas de segurança (indicados em email enviado pelo Google) e foi resetado. Desde então não consegui mais fazer nenhuma publicação nele, já que um problema no Painel de Controle impede que as extensões Front Page sejam instaladas corretamente e, sem elas, o site não funciona na totalidade.
Após 5 dias de intensa troca de emails e promessas de que o problema seria resolvido (não foi resolvido até hoje, dia 18 de maio de 2009) solicitei o cancelamento da minha conta e o reembolso da quantia equivalente aos 10 meses de serviço de hospedagem ainda não utilizados.
Resposta da Sunhost:
"Conforme já informado e explicado não será feita nenhuma devolução do valor pago."
Diante da recusa, argumentei que a empresa está abusando da boa-fé e da honestidade do cliente, que sua propaganda é enganosa , nenhum chat anunciado funciona e não há qualquer telefone para contato como manda a lei. Disse-lhes não saber se tais atitudes são produto de má-fé, se desconhecem a Lei ou se simplesmente esperam permanecer impunes. Avisei que estava enviando a mensagem com cópia para a Defesa do Consumidor de O Globo e publicando nos principais serviços de Defesa do Consumidor na Internet e que mantenho registro de toda a correspondência que trocamos, onde se vê claramente a Sunhost enviar respostas que não respeitam a veracidade dos fatos.
Resposta da Sunhost:
"A Sra. pode fazer essas ‘denúncias’ sem problema nenhum, mas já lhe adianto que estará apenas perdendo seu tempo."
Em novo email para a empresa, desautorizei o cancelamento da conta até que façam a devolução do valor referente a não utilização da hospedagem por 10 meses, segundo contrato com validade de 17 de março de 2009 a 17 de março de 2010.
A recusa persiste – "Só efetuamos devolução do valor pago para novos clientes e no prazo de 30 dias, fora isso somente em algum caso especial, o qual não se enquadra o seu. Podemos cancelar sua conta?" – demonstrando cabalmente o descaso pelo direito do consumidor e pela lei.

Não é meio assustador quando uma empresa escreve um e-mail  (ou seja, um documento) declarando ser perda de tempo exigir seus direitos? O que eles pensam dos seus clientes?

E o pior é que, infelizmente, eles não estão sós nesse descaso, vide as diversas reclamações contra outras empresas que vemos diariamente. Será que algum dia essas empresas vão perceber que sem clientes elas não sobrevivem? E será que esses clientes algum dia aprenderão que a melhor forma de cobrar uma postura mais decente dessas empresas é justamente boicotando seus serviços e denunciando seus erros?

E vocês, amigos? Já passaram por problemas assim? E como reagiram a eles?

Ambiente desktop livre ilustrando vídeo da Microsoft – ATUALIZADO

Entre rápido nessa página da Microsoft (você leu direito, é da Microsoft mesmo). Resista ao apelo no alto da tela para "Upgrade your Internet Experience" (com o ameaçador ícone do Internet Explorer ) e olhe bem para a imagem que se encontra no meio da tela à direita (agora é tarde, já mudaram a imagem, mas fica o registro e a "prova do crime"). Essa imagem é um link para um vídeo. A chamada é bem clara: virtualização de outros ambientes Windows no novo Windows 7 (e o vídeo trata justamente disso). Ou seja, uma imagem mostrando o Windows XP, que pode ser virtualizado dentro do Windows 7, certo? Errado! Olhe novamente a imagem.

Tela do XPDE
 

Essa tela, na verdade é do XPDE, um ambiente desktop para GNU/Linux que tenta imitar ao máximo a aparência do Windows XP. Detalhe, essa imagem que aparece no sítio da Microsoft é essa aqui, da galeria de imagens do XPDE (tem até o Gimp na barra de tarefas). Compare as duas e repare que a imagem que está no sítio da Microsoft foi cortada na sua parte superior.

Pois é, pelo jeito os desenvolvedores do XPDE conseguiram seu intento. O ambiente ficou tão parecido com o Windows XP que até a Microsoft se confundiu.    Ou será que esse é um reconhecimento de que o design do software livre é mais apresentável que o do Windows? Resta a dúvida… 

Ah, caso a Microsoft mude a tela, aqui tem uma captura da mesma, para fins históricos. E a dica da página veio do Djavan Fagundes, via identi.ca.

Atualização:

O Djavan fez a correção nos comentários: quem deu a indicação inicial não foi ele, mas o Lucas Mezencio, que tem um blog legal e acabou de escrever um artigo sobre um tema que eu já ia colocar aqui na teia: QRCodes. Ele é um sem-graça. 

Outra atualização (15/05/2009):

Eu falei pra vocês entrarem rápido na página, não falei? Pois não é que a Microsoft atualizou a imagem? Ainda bem que eu fiz uma captura da tela pra documentar a bobagem. Só falta agora falarem que foi montagem…