A teia ganha um selo da “Campanha da Amizade”

Pois é. Eu que sempre tive ressalvas com sítios muito decorados fui presenteado com um selo da "Campanha da Amizade". Pelo carinho da homenagem e por admiração pela pessoa que me enviou (a Semíramis do blog Educando o Amanhã) está abaixo o selo (o primeiro gif animado da teia!)… Laughing

Selo da "Campanha da Amizade"

Segundo as regras da campanha, eu tenho que indicar 10 blogs para enviar o mesmo selo. Vou me dar o direito de não fazer isso agora, para escolher com calma as pessoas que o receberão. Mas não podia deixar de colocá-lo aqui em agradecimento à consideração.

WordPress, a vítima da vez

Todo mundo deve se lembrar que um vídeo da Daniela Cicarelli com seu namorado na praia virou sensação no YouTube no final de 2006. Isso quase levou ao bloqueio desse sítio aqui no Brasil, em janeiro de 2007. Na verdade ele até ficou inacessível por uns dias, mas, ao perceberem que isso não levaria à nada, uma vez que o vídeo começou a ser distribuído em outros locais e existiam alternativas que podiam ser usadas para acessar o YouTube, tudo voltou ao normal depois de algum tempo.

E então, quando a gente começa a acreditar que a justiça está se esforçando pra entender o mecanismo de funcionamento da Internet, eles vem com outra bobagem. Dessa vez a bola da vez é o sítio de hospedagem de blogs WordPress. No final de março foi emitida uma ordem judicial para bloquear um determinado blog localizado nesse sítio (não se divulgou o blog ou o seu conteúdo). O problema é que a Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Internet), respondeu ao juiz que para bloquear esse blog específico, precisariam bloquear TODO o WordPress, ou seja, todos os blogs lá hospedados.

Esse fato levanta algumas questões de uso da Internet e sua compreensão por todos os membros da sociedade civil.

Primeiro, muitos ainda tem uma visão de Internet como uma grande biblioteca, cheia de livros. E quando não se deseja que determinado livro fique disponível, simplesmente tira-se o mesmo das prateleiras e proibe-se a sua venda. Pronto, acabou o livro. O problema é que essa analogia é absolutamente equivocada em se tratando da Internet. Por vários motivos:

  • A informação na Internet não está em um contâiner físico, como um livro. Por isso, é muito fácil de ser replicada, uma vez que utiliza um meio lógico. Dessa forma conter esse conteúdo é praticamente impossível.
  • Apesar de falarmos "A Internet" ela não é uma coisa única. Não existe um super-computador que armazena A Internet. Ela é formada pelo conjunto de computadores espalhados pelo mundo inteiro, rodando diversos serviços. Portanto, não tem como "fechar a Internet". Se você tirar um computador do ar, outros podem substitui-lo.
  • Uma biblioteca pode ter sua porta trancada e ninguém entra. Na Internet isso é muito mais complicado. É possível passar por cima de bloqueios usando alternativas, como os proxies.

Portanto, decisões do tipo bloqueio, além de estúpidas, são inócuas. A não ser, é claro, que se bloqueie todo o tráfego, controlando os backbones nacionais, como é o caso da China e seu grande firewall Golden Shield.

Em segundo lugar, existe ou um ato de má fé ou ignorância por parte da Abranet. É possível sim bloquear sítios específicos a rede local (claro que, como falado acima, existem formas de burlar o bloqueio). Usar o argumento de que o bloqueio só é possível via IP é falso. Claro que outras técnicas podem ser trabalhosas de implementar ou podem implicar em alterações na estrutura do provedor, mas não são impossíveis de serem implementadas. Inclusive se os provedores utilizam GNU/Linux o procedimento chega a ser trivial.

Portanto, o que se vê, mais uma vez, é o desconhecimento de um assunto gerando decisões equivocadas e alegações infundadas. É importante destacar que não foi o juiz quem pediu o bloqueio do WordPress. Ao contrário, ele pediu somente o bloqueio do blog específico. Foi a Abranet que alegou que isso era impossível.

De qualquer forma, já aderi à campanha "Não ao bloqueio do WordPress" e recomendo que outras pessoas façam o mesmo. Afinal, independente da decisão judicial, é importante nos manifestarmos para que isso, pelo menos, levante o debate sobre o assunto.

O cão e o monstro

Li uma mensagem hoje no blog Norte que me deixou ainda mais decepcionado com os seres humanos. Transcrevo-a abaixo, com algumas modificações.

No ano de 2007, Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, pegou um cão abandonado na rua prendeu-o em uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e deixou o pobre animal ali para que morresse lentamente de fome e sede, durante a Bienal Costarricense de Artes Visuales (Bienarte) 2007. Ao fundo da galeria, escrito com ração de cachorro, lia-se, traduzido do espanhol, algo como: "És o que lês".

Durante vários dias, tanto o autor de semelhante crueldade assim como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassíveis a agonia do pobre animal. Até que, finalmente, o pobre animal morreu de inanição, certamente após ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensível calvário.

E isso não é o pior…

Os organizadores dessa bienal, incompreensivelmente consideraram tal barbárie como arte e selecionaram Guillermo Vargas Habacuc para se tornar parte de um seleto grupo de seis pessoas que irão representar a Costa Rica na Bienal Centroamericana Honduras 2008.

Mas existe uma forma de manifestarmos nossa indignação. Foi criada uma petição on-line de repúdio ao "artista", pedindo que os organizadores da Bienal Centroamericana Honduras não o aceitem na exposição. O endereço é: http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html. Não deixem de assinar.

Optei por não colocar as imagens do animal aqui. Mas quem se interessar por saber mais detalhes, pode acessar esse sítio e assistir a esse vídeo. Detalhes da bienal podem ser encontrados aqui.