Prevenção de lesões por esforço repetitivo com um software livre
Um dos problemas que afligem os usuários de computador é a perda da noção de tempo de trabalho. Com isso, muitas vezes trabalhamos horas à fio sem nos darmos conta disso. O resultado final vai desde dores passageiras nas costas até questões mais sérias, como as chamadas Lesões por Esforço Repetitivo. Se você usa um monitor CRT então, acrescente à lista de problemas o cansaço visual.
E hoje eu vi um artigo escrito pela Joaninha no Ladybug Brasil justamente comentando sobre isso e indicando um software livre chamado HealthKeeper. Lembrei-me então de um programa que eu usei há algum tempo aqui no GNU/Linux. O problema é que eu não lembrava de jeito nenhum o nome da criatura (já o havia procurado há algumas semanas, quando fui acometido de dores nos braços). Mas estimulado pelo artigo, resolvi combinar uma série de palavras-chave no sítio de buscas e finalmente (re)encontrei o bicho. O nome dele é Workrave.
O funcionamento do programa é simples. Ele possui três contadores regressivos, um para micro-pausas, um para pausas longas e outro para limite diário de uso. Assim, de tempos em tempos o programa avisa quando é hora de dar uma paradinha nas atividades. Esses contadores são totalmente personalizáveis, ou seja, você define exatamente o intervalo entre as pausas e quanto tempo elas devem durar. Inclusive você pode desabilitar os contadores que não interessam (por exemplo, eu não uso as micro-pausas). Além disso as pausas podem ser adiadas temporariamente e você pode controlar a forma como elas atuam, que pode ser desde avisos na tela até o bloqueio da área de trabalho.
Se você trabalha em mais de um computador e eles estão conectados em rede, você pode definir que um deles funcione como servidor e controle o seu tempo. Assim, cada vez que você abrir o seu perfil em qualquer máquina, ela se conecta a esse servidor e recupera as suas estatísticas de uso. Pra quem está se recuperando de algum problema de LER, um controle rígido de uso é fundamental e esse recurso vem bem a calhar.
Por fim, o programa tem um recurso bem simpático. A cada pausa ele mostra uma janela com uma série de exercícios de alongamento que você pode fazer enquanto espera o seu tempo de voltar à atividade.
Além de ter o seu código-fonte disponível, o Workrave pode ser encontrado nos repositórios das principais distribuições GNU/Linux. Apesar de ser construído com a biblioteca de desenvolvimento GTK, que é mais integrada para uso no GNOME, o Workrave funciona muito bem no KDE (inclusive na versão 4). Inclusive existe um software para o KDE, chamado RSIBreak. Mas a versão atualmente disponível no Debian Lenny, não funciona no KDE 4. Até encontrei uma versão no repositório experimental, mas não consegui fazê-la funcionar direito aqui.
Ah, e tem também uma versão para Windows, o que é muito interessante. Afinal se o usuário já tem que sofrer para usar esse (suposto) sistema operacional, não é justo que sofra de LER também, né? 

Na falta de um “Publicado por” ou “Sobre mim”, dei uma lida nos comentários dos posts e finalmente descobri de quem é o blog! Rsrs
Fred, agora eu realmente – e definitivamente – mergulhei no mundo do GNU/Linux!
Quase um ano usando Ubuntu (hoje estou na versão 11.04) e me pergunto: “como fiquei a minha vida inteira usando aquele outro SO?”.
Hoje eu sou livre!
Sobre o post acima, vem a pergunta que não quer calar: E para os considerados viciados em computador?
Digo isso porque eu tenho um amigo que trabalha o dia inteiro no computador, estuda no computador, relaxa vendo um filme no computador, namora durante a semana pela internet e joga com os amigos pela internet! Nesse caso eu duvido que o Workrave possa adiantar alguma coisa. Rsrs
Um abraço e parabéns pelas matérias do site!
Olá Lucas,
Em primeiro lugar, parabéns pela sua libertação.
Sempre te falei que você ia gostar disso aqui, né?
Bom, ainda não tem um “sobre mim” porque migrei essa semana para o WordPress do meu antigo Drupal e ainda estou ajeitando as coisas. Mas pode ter certeza que terá uma explicação sim, ok?
Pois é, quanto aos viciados, aí o problema já não é mais com o Workrave. É com psicólogo.
Um grande abraço!
Ai que bacana! Agora estou em busca de uma versão MAC para os amiguinhos que usam o sistema extra-proprietário da Apple.
adorei teu texto, queridão. Obrigada pela replicação, repercussão e mais informação para os nossos leitores. Iluminou meu dia.
beijos